Situação económica das minorias dita exclusão, segundo especialistas

Especialistas na área do Serviço Social reunidos em Leiria consideraram hoje que a falta de condições económicas das minorias étnicas em Portugal é o principal factor de exclusão social destes imigrantes.

Agência LUSA /

No congresso de Serviço Social, uma iniciativa organizada pela Escola Superior de Educação de Leiria, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Vítor Melícias, defendeu a melhoria das condições económicas das minorias como a melhor estratégia para contrariar os problemas de exclusão.

A falta de acesso à cidadania portuguesa dos filhos de imigrantes foi também criticada por este responsável, considerando que este problema complica ainda mais a integração social destes cidadãos.

Posição semelhante manifestou Fernando Machado, investigador do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), que defendeu medidas concretas do Estado para resolver o problema.

"A cidadania universal é uma coisa bonita de falar, mas ainda não chegámos lá", pelo que é necessário alterar a legislação que reconhece a igualdade de direitos aos filhos de imigrantes nascidos em Portugal, defendeu.

A situação actual é considerada "absurda" por este investigador, já que aumenta os problemas existentes, conferindo direitos de voto a imigrantes com quem Portugal tem acordos, como Cabo Verde, mas deixando cidadãos de outros países de fora, como os de Moçambique ou Angola.

Este investigador recordou um estudo realizado na Grande Lisboa, envolvendo cerca de mil filhos de imigrantes africanos, que conclui que o insucesso escolar nestes alunos é semelhante ao dos restantes com as mesmas condições sociais.

Por outro lado, este responsável salientou que a maior parte dos filhos de imigrantes permanecem mais ligados aos países de origem da família, também devido às dificuldades de integração na sociedade portuguesa.

Nos casos dos filhos de imigrantes africanos de classe média e alta, esse grau de ligação ao país de origem é mais pequena, explicou.

Timóteo Macedo, do Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigração (CCOCAI), apontou ainda a "globalização do capitalismo selvagem", que - disse - tende a considerar as pessoas como "instrumentos" da economia, ignorando os seus direitos cívicos.

Nesse sentido, os imigrantes e os seus filhos sentem, perante as dificuldades de integração no mercado de trabalho, um "sentimento de frustração e de tristeza" face ao país de acolhimento.

"Na clandestinidade, tem-se outra sociedade: a da sobrevivência a todo o custo", afirmou, criticando o condicionamento da entrada de novos imigrantes a contratos de trabalho.

"Portugal só tem a ganhar se tiver condições para acolher os imigrantes que o procuram", mas o "Governo não nos deu ouvidos" e preferiu criar uma legislação "que condiciona a entrada a contratos de trabalho, que desvirtuam as competências originais dos imigrantes", disse.

Maria Barroso, presidente da Fundação Pro-Dignitate, concordou com estas observações e defendeu mesmo o reforço da "consciência cívica" face a estas novas formas de exclusão social.

No seu entender, Portugal deve recordar o exemplo dos emigrantes nos anos 60 e 70 para tentar acolher agora os cidadãos de outros países da forma como os portugueses queriam ser recebidos.

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