Situação financeira do município do Bombarral é grave

A Câmara do Bombarral decidiu encomendar uma auditoria externa às contas da autarquia para ficar a conhecer a real situação financeira do município que o novo presidente classificou hoje de "muito grave".

Agência LUSA /

O presidente da câmara do Bombarral, Luís Camilo Duarte (PSD), afirmou hoje à agência Lusa que "a população deve ficar consciente e informada de que estamos a iniciar um novo mandato numa conjuntura muito difícil e em que a situação financeira da câmara é muito grave".

O autarca do Bombarral, eleito presidente pela primeira vez nas últimas autárquicas, em Outubro, disse que apresentou à câmara a proposta da realização de uma auditoria às contas da câmara e que a mesma mereceu consenso entre toda a vereação.

"Todos os dias estamos a encontrar novas situações e compromissos que foram assumidos, especialmente durante o ano de 2005, o que fez disparar a dívida a credores que poderá atingir os três milhões e 500 mil euros até ao final do ano", disse Luís Camilo Duarte.

"Pensamos que foram lançadas e adjudicadas obras que terão a ver com o ano eleitoral que se viveu este ano.

Foram realizados espectáculos de última hora que não estavam planeados e lançadas obras para as quais não havia financiamento assegurado", acrescentou.

Camilo Duarte referia-se à anterior gestão liderada pelo também autarca social-democrata Albuquerque Álvaro que entrou em ruptura com o PSD, e que se apresentou às eleições apoiado pelo CDS/PP, numa lista que não elegeu qualquer vereador.

O presidente da câmara deu como exemplos de má gestão anterior a adjudicação da obra na Praça do Município onde consta a construção de um parque de estacionamento subterrâneo por um milhão de euros dos quais só estavam garantidos 400 mil euros.

"A construção do estádio municipal, orçada em três milhões de euros foi adjudicada quando só estavam garantidos 600 mil euros sendo que a restante verba terá que ser camarária", disse.

"É uma situação incomportável quando nos estamos a aperceber de que a despesa corrente também disparou estimando-se que a dívida global à banca e aos credores em geral seja de sete milhões de euros", disse Camilo Duarte.

O autarca espera que a auditoria esteja concluída no final de Fevereiro e adiantou que estão a ser tomadas medidas restritivas na despesa corrente para um maior controlo dos gastos internos.

A agravar a situação, segundo o autarca, há ainda "o facto das autarquias não poderem recorrer ao crédito".

"Existem estudos que dizem que o Bombarral é um concelho deprimido e que sofre dos problemas da interioridade e não se compreende como é que o governo toma uma medida cega não se lembrando dos problemas específicos de alguns concelhos", disse.

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