"Skinheads" são "factor de risco"

A actividade da extrema-direita registou uma "certa estagnação em Portugal", mas os grupos de "skinheads" e neonazis continuam a ser um "factor de risco efectivo para a segurança interna", conclui o relatório de segurança interna de 2006.

Agência LUSA /

"Os grupos skinheads e neonazis representam um factor de risco efectivo para a segurança interna, no tocante ao incitamento e promoção da violência política e racial", lê-se no Relatório Anual de Segurança Interna de 2006, divulgado este mês pelo Ministério da Administração Interna.

O documento alerta que os grupos portugueses "têm investido na participação" em encontros "internacionais organizados por congéneres europeus" - como o que estava previsto sábado para Lisboa mas terá entretanto sido cancelado - com o objectivo de "ganharem visibilidade ao nível externo e de consolidarem a sua internacionalização".

Segundo o relatório de segurança interna, e a exemplo do que acontece "nos restantes países europeus, a extrema-direita em Portugal não configura, actualmente, uma ameaça global contra o Estado de direito democrático", segundo as conclusões do relatório.

Um outro alerta do documento refere-se à forma como os grupos extremistas estão a utilizar a Internet - fóruns, blogs, "chatrooms" (páginas "on-line" de conversação) - "como veículo estratégico de captação e recrutamento de novos simpatizantes".

A Frente Nacional (FN), cujo líder, Mário Machado, foi detido quarta-feira e está em prisão preventiva, suspeito de discriminação racial, organizou várias manifestações em Lisboa nos últimos dois anos.

Segundo o número quatro do artigo 46.º da Constituição Portuguesa, "não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista".

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