Só a fé impede que Cruz de Cristo seja "um escândalo" - Cardeal Patriarca
Lisboa, 21 Mar (Lusa) - O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, considerou hoje que só a fé impede que, para os cristãos, a morte de Cristo na cruz seja vista como "um escândalo", mas antes seja encarada como "uma loucura do amor de Deus pelo mundo que criou".
"Só de joelhos, na humildade da nossa fé, podemos contemplar a Cruz de Cristo e impedir que ela não seja para nós um escândalo, algo de tão violento e incompreensível que nos leve a duvidar da bondade e da justiça de Deus", disse D. José da Cruz Policarpo na homilia da Paixão do Senhor, esta tarde na Sé Patriarcal.
Segundo o Cardeal Patriarca, a morte de Cristo pela crucificação foi uma forma de Deus "vencer o mal na sua raiz".
"No Calvário, Deus, para amar o mundo, não deixa de amar o Seu Filho, que na Sua humanidade, assumiu todo o mal do mundo. Na Cruz, o amor entre o Pai e o Filho é o mesmo amor eterno que criou o mundo, porque só assim o pode recriar", afirmou D. José Policarpo perante os fiéis presentes na Sé de Lisboa.
De acordo com o prelado, "amar no sofrimento e na obediência é a atitude nova que a morte de Cristo lega à humanidade, caminho para a redenção do sofrimento inevitável".
"A Cruz é um acto de amor de Deus Pai pela humanidade que criou. É um acto de amor de Jesus por Deus, Seu pai, concretizado na obediência à vontade divina", acrescentou, questionando: "Mas porquê a morte? Porquê ir tão longe?"
A resposta, para D. José Policarpo, está no facto de se tratar de uma forma "de vencer radicalmente o mal e exorcizar a morte, inserindo-a no dinamismo da vida e da esperança".
"Ligado à experiência da morte está a realidade do sofrimento humano, universal e inevitável, vivido como experiência de morte", disse o Cardeal Patriarca, para quem "exorcizar a morte é também mudar radicalmente o sentido do sofrimento, o que só é possível redimindo o pecado".
"A morte de Cristo como expressão do amor eterno restitui ao sofrimento humano a possibilidade de ser expressão do amor", afirmou ainda o Bispo responsável pelo Patriarcado, exortando os cristãos a, ao contemplarem a Cruz, descobrirem "o mistério e a missão da Igreja de ser, no mundo, fermento de Redenção".
"Adorando a Cruz, assumamos a nossa missão de co-redentores", apelou.