Só um quarto das portuguesas faz auto-exame de cancro da mama

Só um quarto das portuguesas faz auto-exame de cancro da mama

Apenas um quarto das mulheres portuguesas realiza o auto-exame (palpação) ao cancro da mama, apesar de a esmagadora maioria reconhecer a importância do diagnóstico precoce a um carcinoma que mata quatro mulheres por dia em Portugal, revela um estudo.

Agência LUSA /

A investigação, inédita em Portugal, antecipa a Semana Nacional do Cancro da Mama, que se assinala a partir de sábado.

O estudo envolveu uma amostra de 799 mulheres e foi realizado por um laboratório para a Liga Portuguesa contra o Cancro (LPCC) e a Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS).

Esta avaliação do posicionamento da população feminina portuguesa face ao cancro da mama revelou que, "embora exista um reconhecimento esmagador da importância do diagnóstico precoce", quase 34 por cento das mulheres nunca efectuou qualquer tipo de exames.

Apenas um quarto (26,3 por cento) das mulheres assumiu ter recorrido à palpação, enquanto 56,3 por cento já efectuaram mamografias.

Confrontada com estes resultados, a presidente da LPCC, Manuela Rilvas, enalteceu hoje a eficácia do auto-exame e aconselhou as mulheres "de todas as faixas etárias" a fazê-lo.

Sobre a reduzida percentagem de mulheres que recorrem a este exame, Manuela Rilvas disse que existem vários factores, que podem ir da falta de aconselhamento médico ao simples receio de saber que existe alguma coisa que está mal.

"O receio de descobrir alguma coisa pode afastar a mulher deste exame", afirmou, sublinhando a sua importância pelo menos uma vez por ano.

Também o presidente da SPS, Jorge Soares, reconheceu que o receio de descobrir alguma coisa má pode levar, ainda que inconscientemente, a mulher a não realizar este exame.

"Todos nós temos medo de identificar alguma coisa que possa ser má", disse.

Além da possibilidade de identificar alterações na mama que conduza a uma precoce intervenção contra este cancro, o exame "é uma óptima forma de a mulher tomar conta de si e preocupar-se, inclusive, com outras doenças que possam aparecer".

O estudo revelou ainda que 76 por cento das inquiridas, com particular destaque para as que têm menos de 35 anos, gostaria de saber mais sobre o cancro da mama.

No entanto, perto de dois terços das portuguesas revelam ter um comportamento atento ou pró-activo face a esta doença, já que 64 por cento demonstraram ter um significativo conhecimento sobre a doença.

O cancro da mama é o carcinoma mais comum na mulher. Anualmente, surgem cerca de 3.500 novos casos e morrem, por dia, quatro mulheres com a doença.

Na Europa, 20 em cada 100 mortes por causa oncológica deve-se ao cancro da mama.

O cancro da mama é um processo oncológico em que as células sãs da glândula mamária se alteram, transformando-se em células tumorais que proliferam, multiplicando-se descontroladamente até constituírem o tumor.

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