Sociólogos querem criar Ordem profissional
Os cerca de 200 sociólogos reunidos hoje, em Vendas Novas, para debater a profissão defenderam a criação de uma Ordem profissional para o reconhecimento público e institucional da classe.
"A necessidade de criarmos uma Ordem foi consensual", declarou a presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS), Anália Torres, sublinhando que "só assim se poderá conseguir o reconhecimento público e institucional" das posições da classe.
Para exemplificar a importância da Ordem "como garantia da melhoria da função do sociólogo", Anália Torres relembrou que a APS se manifestou publicamente contra a passagem da licenciatura de sociologia para os três anos, no âmbito do processo de Bolonha.
"Depois de nos reunirmos com as universidades públicas e uma privada que têm licenciaturas em sociologia, apresentámos publicamente a nossa posição que tem apenas um `valor moral`", afirmou Anália Torres, no final do encontro "Futuros da Profissão de Sociólogo", que decorreu durante dois dias no auditório municipal de Vendas Novas.
Contudo, estes foram os primeiros passos para a criação da Associação Portuguesa de Sociologia/Ordem dos Sociólogos, segundo Anália Torres.
Segundo a dirigente, a associação que abarca os níveis académico e profissional, não quer criar "um sindicato corporativo", mas uma ordem inclusiva fixada no sentido da abertura.
Apesar da necessidade do reconhecimento público e institucional da associação, a APS tem o reconhecimento dos seus pares e é uma das maiores do mundo, realçou.
"Somos das maiores Associações de sociólogos do mundo", afirmou Anália Torres, em declarações à Agência Lusa, informando que a organização tem cerca de dois mil sócios.
Considerou que ainda há uma visão pouco real da profissão, apesar de o mercado de trabalho ser muito vasto e de se conseguirem empregos após os estágios.
"Em geral, os sociólogos acabam por ficar a exercer a sua actividade profissional nos locais para onde foram estagiar", afirmou a também professora universitária, sublinhando que quem fez um curso de sociologia arranja emprego num período máximo seis meses após a licenciatura.
Organizado pela APS, o encontro sob o tema "Futuros da Profissão de Sociólogo", que reuniu cerca de 200 participantes, teve como objectivo a troca de experiências e uma reflexão sobre a criação da Ordem dos Sociólogos.
"Reflectir sobre as oportunidades e os constrangimentos com que a profissão de sociólogo se defronta, discutir as modalidades de organização dos sociólogos e auscultar as diferentes sensibilidades acerca da criação de uma Ordem dos Sociólogos ou de outros modelos de regulação da profissão" foram objectivos do encontro.
Com três dezenas de oradores, o encontro promoveu a troca de experiências profissionais no primeiro painel intitulado "Experiências Profissionais: Oportunidades e Constrangimentos", na "Administração Pública e Terceiro Sector", "Autarquias", "Empresas", "Ensino" e "Investigação".
Hoje, os sociólogos debruçaram-se sobre o tema "Organização da Profissão: Uma Ordem para os Sociólogos", que contou com a apresentação de comunicações de Nuno Valério, da Ordem dos Economistas, Carlos Gonçalves, do Conselho da APS, e Anália Torres, Presidente da APS.