Sócrates defendeu méritos da candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança

O primeiro-ministro defendeu sábado os méritos da candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança da ONU. Falando na 65ª Assembleia-geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, Sócrates disse que a pretensão de Portugal se baseia em valores de política externa de diálogo e não de imposição e numa visão universalista do mundo. A candidatura compete com a da Alemanha e a do Canadá.

RTP /
Discursando perante a 65ª Assembleia-geral da ONU, José Sócrates defendeu o carácter universalista e dialogante da candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança Peter Foley, EPA

"O comportamento de Portugal nas Nações Unidas é determinado pela capacidade que temos em dialogar com todos os Estados Membros, em estabelecer pontes, em contribuir para consensos" afirmou José Sócrates, antes de fazer uma apologia dos valores que norteiam a candidatura portuguesa.

"Procuramos sempre defender os valores em que acreditamos através do diálogo e não através da imposição", disse o primeiro-ministro português, que fez um contraponto com os países que empregam uma lógica "conjuntural" na sua diplomacia.

"A nossa atitude não é, portanto, ditada pela necessidade conjuntural de agradar a este ou àquele grupo, mas pelos valores em que acreditamos. É esta visão universalista, de diálogo e abertura ao mundo que marca a participação de Portugal nos órgãos das Nações Unidas e inspira a nossa candidatura a membro não-permanente do Conselho de Segurança", afirmou.

Missões de paz portuguesas

Durante o discurso, o primeiro-ministro lembrou o papel desempenhado por Portugal em missões internacionais de paz, referindo que muitas vezes o faz "para além do que a nossa dimensão exigiria" e lembrou que Portugal tem contribuído para as operações de paz das Nações Unidas na Europa, na Ásia, na Oceânia ou em África, nas quais têm participado dezenas de milhares de portugueses.

"Estamos presentes em lugares tão diversos como o Afeganistão, o sul do Líbano, Timor-Leste, os Balcãs Ocidentais, o Chade ou a República Democrática do Congo", apontou José Sócrates a título de exemplo.

Reforma das Nações Unidas

Depois de saudar o regresso às negociações no processo de paz no Médio Oriente e o empenhamento de Portugal na "transição" política no Afeganistão, Sócrates fez a defesa do "multilateralismo efectivo" e preconizou uma reforma das Nações Unidas, na qual o Brasil e a Índia deverão a ter a prazo um lugar no Conselho Permanente da ONU.

"Portugal é um país que aprendeu a escutar os seus pares, somos membros da União Europeia, da Aliança Atlântica, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que partilham a quinta língua mais falada do mundo, se encontram espalhados por todos os continentes", disse.

Elogios a António Guterres e a Jorge Sampaio
De caminho o primeiro-ministro aproveitou para elogiar dois ex-secretários gerais do PS, António Guterres e Jorge Sampaio. Sócrates considerou que António Guterres, enquanto alto-comissário para os Refugiados "tem feito um esforço notável" e é "um dos mais distintos políticos portugueses desta geração". Já em relação a Jorge Sampaio, disse que a sua acção "honra" Portugal ao dirigir "superiormente" a Aliança das Civilizações.

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