Sócrates desafia Louçã a provar e denunciar irregularidades em concurso de farmácia

Lisboa, 19 Mar (Lusa) - O primeiro-ministro, José Sócrates, desafiou hoje Francisco Louçã a denunciar à Procuradoria Geral da República as suspeitas que lançou de irregularidades no concurso público de uma farmácia, se tiver provas.

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"Eu não me ocupo de concursos, quem se ocupa de concursos são os júris (...) Se tem provas disso, o sr. deputado tem ocasião de se dirigir à Procuradoria Geral da República, não é comigo, isso é um caso de polícia", desafiou Sócrates.

No debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento, Francisco Louçã levantou suspeitas sobre o vencedor do concurso da farmácia Praiense, em Vila Praia do Ribatejo.

José Sócrates utilizou o tempo destinado a responder à pergunta do grupo parlamentar do PS para desmentir uma outra afirmação do líder do Bloco de Esquerda, a de que os contratos de concessão dos hospitais com gestão privada durariam até 2040.

"Estão concessionados por um período de dez anos e não 40 como referiu", garantiu Sócrates.

O primeiro-ministro aproveitou ainda a sua última intervenção no debate para criticar o líder do CDS-PP, Paulo Portas, que lhe ofereceu amêndoas de uma fábrica de Portalegre encerrada pela ASAE.

"Para quem até já foi ministro, esses números pimba ficam-lhe muito mal", afirmou Sócrates, acusando Portas de utilizar o Parlamento como "um palco onde fará tudo para obter uma imagem televisiva".

O ataque ao PSD, Pedro Santana Lopes, ficou a cargo do presidente da bancada socialista, Alberto Martins, que o acusou o líder parlamentar, Pedro Santana Lopes, e o partido de falta de credibilidade.

"Começa a colar-se-lhe à pele uma ideia de falta de credibilidade, que se estende a todo o PSD (...) A tatuagem de falta de credibilidade é má para a democracia portuguesa", afirmou Alberto Martins, num momento do debate em que a oposição já não tem tempo para responder.

O debate quinzenal terminou com uma troca de cumprimentos pascais: o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, perguntou à bancada do PS se não pretendia utilizar o tempo ainda disponível para questionar o primeiro-ministro.

"Nem para oferecer um coelhinho da Páscoa ao primeiro-ministro?", ironizou Jaime Gama.

"Sr. presidente, um coelhinho para si, para todos os membros do Governo, e amêndoas para o sr. deputado Paulo Portas e para todos os deputados", respondeu, no mesmo tom, Alberto Martins.

Aproveitando o momento, José Sócrates pediu também a palavra.

"Uma boa Páscoa para todos os deputados e para o sr. presidente [da Assembleia]. Não preciso de oferecer nada a ninguém para que todos saibam que estes desejos são sinceros", concluiu o primeiro-ministro.

SMA.


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