Sócrates destaca importância do IP8, que terá portagens entre Santiago do Cacém e Beja
Beja, 02 Dez (Lusa) - O primeiro-ministro José Sócrates destacou hoje a importância vital para a economia nacional do Itinerário Principal (IP) 8, que vai ter portagens entre Santiago do Cacém e Beja, decisão contestada por autarcas locais.
"Esta auto-estrada vai fazer-se porque é uma infra-estrutura vital para a economia nacional, mas também para melhorar a competitividade do Porto de Sines e do aeroporto de Beja", disse o chefe do Governo.
José Sócrates falava em Beja durante a cerimónia de lançamento do concurso público para a concessão Baixo Alentejo, que inclui a construção e exploração do IP-8 entre Sines e Beja, numa extensão de 95 quilómetros com perfil de auto-estrada.
Durante a sua intervenção, o primeiro-ministro não fez qualquer referência ao pagamento de portagens no IP-8 e escusou-se a falar com os jornalistas no final da cerimónia.
No entanto, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, questionado pelos jornalistas no final da cerimónia, confirmou que "o IP-8 vai ter portagens, com excepção do nó do Roncão, entre Sines e Santiago do Cacém, porque não há alternativa".
Esta decisão vai ao encontro da reivindicação do autarca comunista de Sines, que defendeu, sábado, em declarações à agência Lusa, que se devia "discutir" o pagamento de portagens no troço do IP8 entre Sines e Santiago do Cacém, lembrando tratar-se da "única estrada entre as duas cidades".
"O IP-8 é uma nova estrada que se vai fazer entre Sines e Beja e não há razão nenhuma para não ter portagens", justificou Mário Lino, acrescentando que o Governo "não admite nenhum período de carência", ao contrário do foi defendido hoje pelo autarca de Beja, durante a sua intervenção na cerimónia, e sábado, pelo de Ferreira do Alentejo, à Lusa.
Autarcas de quatro concelhos abrangidos pelo IP-8 lamentaram, sábado, em declarações à Lusa, a aplicação de portagens, apesar de "saudarem" o arranque das obras.
Na sua intervenção, José Sócrates frisou também que o Porto de Sines e o aeroporto de Beja vão ficar "mais fortes" com o IP-8 e "em melhores condições de prestar o serviço que devem prestar à economia nacional".
"Estão previstos investimentos privados muito importantes para o Porto de Sines, que é uma infra-estrutura nacional da maior importância e que precisa de melhorar e alargar a sua área de influência. E isto não é possível sem o IP-8", defendeu o Chefe do Governo.
Por outro lado, frisou, "não faria sentido o Estado construir um novo aeroporto em Beja e não o dotar de uma acessibilidade indispensável para que possa ser competitivo e prestar um serviço à economia nacional".
Neste sentido, salientou José Sócrates, o IP-8, uma "reivindicação antiga", é "absolutamente decisivo para transformar o Alentejo numa região atractiva de investimento, mais confiante em si própria, mais robusta no seu crescimento económico e em melhores condições de poder contribuir para a economia nacional".
Mário Lino salientou ainda a "importância" do IP-8 para "melhorar a qualidade de vida das populações", frisando que a nova auto-estrada vai permitir reduzir em 28 minutos a distância entre Sines e Beja e em 13 por cento os níveis de sinistralidade.
À entrada para a cerimónia, José Sócrates foi interpelado por uma delegação da comissão de utentes do IP-8, que lhe entregou uma carta, na qual é exigida "a construção do IP8, entre Sines e Vila Verde de Ficalho, com perfil de auto-estrada e sem portagens".
Após esta interpelação e durante a sua intervenção, o primeiro-ministro disse que o IP-8, entre Beja e Vila Verde de Ficalho "não será em perfil de auto-estrada", porque "os estudos nacionais, indicam que esta ligação, pela procura e pelo tráfego que tem, é bastante".
Assim, lembrou José Sócrates, o Governo já lançou o concurso para a elaboração do projecto de execução do troço do IP-8 entre Beja e Vila Verde de Ficalho, que vai ser apenas requalificado e terá características de IP, mas não de auto-estrada.
Uma decisão contestada por autarcas locais e que motivou mesmo a criação, no início deste ano, da comissão de utentes do IP8, formada por 13 autarcas das juntas de freguesia de Beja e Serpa e cerca de 150 empresas e entidades dos dois concelhos, que exigem "a construção do IP8, entre Sines e Espanha, com características de auto-estrada e sem amputações, nem remendos".
A concessão Baixo Alentejo, num total de 334 quilómetros, inclui a construção de 124 novos quilómetros em perfil de auto-estrada e a exploração e conservação de 220 já em serviço, num investimento total de 270 milhões de euros.
Quantos aos novos traçados, além dos 95 quilómetros do IP-8 entre Sines e Beja, a concessão prevê a construção da ER 261-5 (13 quilómetros entre Sines e Vila Nova de Santo André) e um troço de 16 quilómetros entre Évora (IP-7) e São Mansos (IP-2).
Além destas novas construções, a concessão Baixo Alentejo inclui também a exploração e conservação de mais 220 quilómetros já em serviço, divididos pelos troços São Mansos/Castro Verde (IP-2), IC1-Marateca/IP-8 e IC33-Santiago do Cacém/Grândola.
LL.
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