Sócrates diz que Soares comentou pobreza em Portugal equivocado por um "embuste"
Lisboa, 29 Mai (Lusa) -- O primeiro-ministro admitiu hoje que o ex-Presidente da República Mário Soares comentou equivocado com base num "embuste" o relatório sobre a pobreza em Portugal, desconhecendo que se tratava de um documento de 2004 e não actual.
"Julgo que o dr. Mário Soares foi também influenciado por aquilo que foi um dos maiores embustes lançados na sociedade portuguesa, julgando que o relatório lançado na semana passada [sobre pobreza] se referia a números actuais. Mas esse relatório era de 2004", declarou José Sócrates aos jornalistas.
Falando no final do debate quinzenal, na Assembleia da República, o primeiro-ministro criticou também a comunicação social por não ter referido a data do relatório.
"E não era preciso muito para fazer isso. Bastava ir ao título do quadro para se ver que era de 2004", apontou.
José Sócrates disse não pretender com essa posição "fazer qualquer julgamento sobre o passado" relativamente à situação social em Portugal.
"Mas não estou disponível para que sejam atribuídas responsabilidades a este Governo sobre resultados do anterior Governo", disse.
A seguir, o primeiro-ministro passou ao contra-ataque, fazendo duras críticas, sobretudo ao PSD e CDS-PP.
"Absolutamente deplorável foi ver membros do anterior Governo da direita portuguesa debitarem nas televisões sentenças de grande indignação moral com os números da sua própria governação", declarou.
Para José Sócrates, os números constantes no relatório "são uma verdadeira sentença sobre o fracasso das governações" dos executivos liderados por Durão Barroso e Pedro Santana Lopes.
"O descaramento tem limites. Ninguém pode acusar este Governo de resultados sociais que dizem respeito a executivos anteriores. Estou convencido que Mário Soares não tinha essa informação", considerou.
De acordo com as estimativas apresentadas pelo primeiro-ministro, o índice de risco de pobreza em Portugal era de 20 por cento em 2004, 19 por cento em 2005 e de 18 por cento em 2006.
"Para quem acha que é pouco digo que dois pontos de redução significa tirar da pobreza 200 mil pessoas. Isso é muito significativo", sustentou.
Sócrates disse depois não pretender negar as dificuldades que ainda subsistem em Portugal, mas defendeu que os mais recentes dados relativamente à pobreza mostram que "houve uma melhoria entre 2004 e 2006".
"Também no combate às desigualdades houve uma melhoria. Portugal passou do índice de 6,9 em 2005 para 6,8 em 2006", acrescentou.
Interrogado sobre se já deu estas justificações ao fundador do PS e ex-Presidente da República, Sócrates deu uma resposta seca:
"Falo tantas vezes com o dr. Mário Soares", disse.
PMF.