Sócrates em Argel a 8 e 9 de Junho para a II Cimeira Luso-Argelina

Lisboa, 27 Mai (Lusa) - O primeiro-ministro, José Sócrates, desloca-se dias 08 e 09 de Junho a Argel, onde participará na II Cimeira Luso-Argelina, que deverá ser dominada pela cooperação económica, com especial relevo para a energia, e luta contra o terrorismo.

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De acordo com a nota do gabinete do primeiro-ministro, em simultâneo com a realização da cimeira, decorrerá a Feira Internacional de Argel, em que Portugal é o país convidado.

"Trata-se do maior evento económico que se realiza anualmente na Argélia, estando prevista a presença de 35 empresas portuguesas", acrescenta a mesma nota.

Em pouco mais de seis meses, esta será a terceira vez que o chefe do Governo português se desloca à Argélia, depois de ter estado numa visita oficial de 24 horas em Dezembro passado e de ter gozado no fim do ano passado uns breves dias de férias neste país.

A visita oficial que Sócrates fez em Dezembro passado aconteceu poucos dias depois de a capital Argel ter sido alvo de dois atentados terroristas, dos quais resultaram 37 mortos e mais de 60 feridos.

Na primeira declaração política, após ter estado reunido com o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, Sócrates (então também presidente em exercício da União Europeia) assegurou que Portugal e a UE tudo fariam para colaborar com as autoridades argelinas no combate ao terrorismo.

"Estamos do lado da Argélia, do povo argelino e do seu presidente, Abdelaziz Bouteflika, para fazer face a um dos fenómenos que mais atormentam as sociedades nos nossos dias", sublinhou.

Tal como aconteceu na primeira cimeira Luso-Argelina, em Janeiro de 2007, também a visita oficial de Dezembro passado do primeiro-ministro foi dominada pelas questões económicas.

Numa das suas intervenções, Sócrates pediu aos empresários portugueses para assumirem uma atitude de confiança no investimento e de internacionalização, tirando partido dos desenvolvimentos em curso nos mercados do norte de África.

"Temos de manifestar uma atitude de confiança nestes mercados, que estão em grande desenvolvimento em Marrocos, na Argélia, na Tunísia e Líbia. Estes mercados são uma boa oportunidade [de negócios] para os empresários portugueses", sustentou o chefe do Governo português.

Na mira dos empresários portugueses estão concursos internacionais no domínio das obras públicas e da indústria de defesa, aproveitando o facto de a Argélia ter um ambicioso plano quinquenal de investimentos que ascende a 42 mil milhões de euros.

Durante a visita oficial de Sócrates à Argélia, o Grupo Português de Construção (consórcio de direito argelino, que integra a Edifer, OPCA e Sopol)) fechou com o Estado argelino um contrato de 165 milhões de euros para a construção de um quarteirão em Oran, a segunda maior cidade da Argélia.

Empresas nacionais de construção civil e obras públicas como a Coba, Abrantina, Protelecom, Ferconsult, Efacec, Mota Engil, Teixeira Duarte, Topecal, Amorim, Visabeira e Zagope já operam neste momento na Argélia.

Em Outubro passado, a EDP e a Sonatrach acordaram o estabelecimento de uma parceria empresarial na área do gás natural e da energia eléctrica, em que a empresa argelina passou a deter 2,03 por cento do capital da portuguesa.

O acordo prevê a constituição de uma empresa para a comercialização de gás natural, sob controlo conjunto das duas entidades, e a constituição de uma empresa comum para a criação de novas centrais de ciclo combinado, onde a Sonatrach ficará como accionista minoritário, mas com uma participação não inferior a 25 por cento.

Além da área da energia, empresas portuguesas têm já carteira de encomendas no mercado argelino, casos do Metro de Lisboa (estudos e projectos de expansão do metro de Argel), a Teixeira Duarte (troço de auto-estrada e projecto hidráulico), a Efacec (equipamentos eléctricos), a Lena Construções (construção de estradas e intervenções no aeroporto de Argel), a Abrantina (intervenção no porto de Tipaza), a Zagope (construção de barragem) e a ISQ, que ganhou um concurso público para inspecção e avaliação da integridade estrutural de 850 equipamentos sob pressão instalados em unidades de liquefacção de gás natural.

A Coba tem uma presença no mercado argelino desde 1978 e a Parque Expo está a desenvolver um plano director de urbanismo em Wilaya, Argel, numa área que envolve três milhões de pessoas.

PMF.


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