Sócrates lança hoje concurso para o IP8, com lamento de autarcas por causa de portagens

Beja, 02 Dez (Lusa) - O concurso público para a construção e exploração do Itinerário Principal (IP) 8, entre Sines e Beja, com perfil de auto-estrada, é lançado hoje, em Beja, pelo primeiro-ministro, com autarcas a lamentar o pagamento de portagens.

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O lançamento do concurso da concessão Baixo Alentejo, marcado para as 16:30 no Parque da Cidade, contará também com as presenças do ministro, Mário Lino, e do secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos.

A construção do IP8 será adjudicada em Outubro de 2008 e deverá estar concluída três anos depois, para beneficiar cerca de 235 mil habitantes dos concelhos de Sines, Santiago do Cacém, Grândola, Ferreira do Alentejo e Beja.

O IP8, com uma extensão de 124 quilómetros entre Sines e Beja, vai ter perfil de auto-estrada e pagamento de portagens, uma decisão que autarcas dos concelhos abrangidos "lamentam", apesar de "saudarem" o arranque das obras.

Em declarações à agência Lusa, o autarca de Beja, Francisco Santos (CDU), manifestou-se "obviamente contra", e o de Sines, Manuel Coelho (CDU), mostrou-se "apreensivo".

Manuel Coelho salientou também que "será necessário discutir o pagamento de portagens no troço do IP8 entre Sines e Santiago do Cacém, a única estrada de ligação entre as duas cidades".

"Não me passa pela cabeça, porque será extremamente penalizador, que as pessoas, que quase todos os dias transitam entre Sines e Santiago do Cacém, através do IP8, tenham que pagar portagens", afirmou.

O autarca de Ferreira do Alentejo, Aníbal Costa (PS), e o de Grândola, Carlos Beato (independente eleito pelo PS), também lamentaram a aplicação de portagens, apesar de frisarem que "o mais importante é a construção do IP8".

"Obviamente preferia que o IP8 não tivesse portagens, mas tenho que aceitar a decisão do Governo", disse Carlos Beato, enquanto que Aníbal Costa "lamentou a aplicação imediata de portagens" e defendeu "um período de carência entre o início do uso efectivo do IP8 e o pagamento de portagens".

Através do IP8, segundo o Governo, será possível "melhorar os acessos" à região e ao Porto de Sines e aeroporto de Beja, "as duas infra-estruturas fundamentais para o desenvolvimento da capacidade logística, comercial e económica do Alentejo".

Além do IP8, a concessão Baixo Alentejo inclui ainda um troço do IP2, num investimento total de 270 milhões de euros.

A construção do IP8, entre Sines e Espanha, é uma reivindicação antiga das populações dos concelhos de Sines, Santiago do Cacém, Grândola, Ferreira do Alentejo, Beja e Serpa.

No entanto, a decisão do Governo de construir apenas os primeiros quatro troços do IP8 (Sines/Beja) com perfil de auto-estrada, as indefinições sobre o traçado do quinto troço (Beja/Baleizão) e a requalificação apenas do último troço (Baleizão/Vila Verde de Ficalho), que terá características de IP, mas não de auto-estrada, têm suscitado críticas dos autarcas locais.

A decisão motivou mesmo a criação, no início deste ano, da comissão de utentes do IP8, formada por 13 autarcas das juntas de freguesia de Beja e Serpa e cerca de 150 empresas e entidades dos dois concelhos, que reclamam "a construção do IP8, entre Sines e Espanha, com características de auto-estrada e sem amputações, nem remendos".

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