Solstício de Verão celebrado em Foz Côa com música, rituais e poesia

Cerca de 200 pessoas festejaram quarta-feira pelas 20:45 a entrada do Verão, em Chãs, Vila Nova de Foz Côa, no templo solar existente no sítio dos Tambores.

Agência LUSA /

A Festa do Solstício de Verão - o dia mais longo do ano para o Hemisfério Norte - constou de um cerimonial que integrou música, poesia e a evocação de sacrifícios e rituais celtas.

Os festejos aconteceram ao pôr-do-sol, no local onde existe um antigo altar de pedra e um megálito [construção granítica] com três metros de diâmetro.

Os participantes - incluindo o actor e músico João Canto e Castro que se associou ao evento - tiveram oportunidade de testemunhar a passagem dos raios solares sobre o eixo da Pedra do Solstício.

"Estamos aqui a comemorar o Verão tal qual como ele foi comemorado há milénios, com a presença de druidas vestidos com túnicas brancas, trazendo o seu bordão e transportando cordeiros ao ombro", disse Jorge Trabulo Marques, da comissão promotora dos festejos.

Há hora prevista - cerca das 20:45 - Jorge Trabulo Marques, jornalista e investigador que tem estudado o fenómeno, pediu silêncio à ruidosa assistência.

"É um momento de recolhimento e de meditação", disse Jorge Trabulo Marques, minutos antes de ter soado o rufar dos tambores e de João Canto e Castro ter tocado em viola de arco, uma área de Sebastião Bach, acompanhado por Jorge Carvalho (pandeireta) e Gonçalo Barata (acordeão).

O momento do solstício foi vivido com muito entusiasmo por parte dos presentes, a maioria habitantes da freguesia de Chãs, Vila Nova de Foz Côa.

Olívia Domingues, de 78 anos, residente na aldeia, esteve atenta a todos os pormenores dos festejos e no final disse à Agência Lusa que tinha "gostado muito".

"Vi riscos vermelhos e amarelos na pedra, parecia um guarda-chuva", descreveu após assistir ao momento em que os raios solares incidiram sobre o eixo do gigantesco pedregulho.

"Nunca tinha visto, sou daqui mas foi a primeira vez que aqui vim, porque me disseram que isto era muito bonito", concluiu.

João Canto e Castro também se mostrou satisfeito por ter participado na celebração do Solstício do Verão.

"Estou encantado com isto. Nunca tinha visto uma coisa tão bonita. Estou admirado com a beleza do local", disse.

"Isto é uma coisa fantástica, merece ser vista por todos", acrescentou o actor e músico, sublinhando que no próximo ano espera regressar ao local, que se situa a cerca de um quilómetro da localidade de Chãs.

"Espero voltar e trazer uns amigos para não perderem este magnífico acontecimento", disse à Agência Lusa.

Por seu lado, o presidente da Junta de Freguesia de Chãs, António Pimentel, afirmou que pela primeira vez a autarquia se envolveu nos festejos do Solstício do Verão, melhorando os caminhos de ligação ao local onde se encontra a Pedra do Sol ou Pedra do Solstício.

O autarca referiu que tendo em conta a importância do sítio dos Tambores - onde também existe uma outra pedra conhecida por Cabeleira de Nossa Senhora onde no dia 21 de Março foi festejado o Equinócio da Primavera - vai interceder junto do Parque Arqueológico do Vale do Côa para que aquele local seja "devidamente estudado e integrado nos roteiros turísticos desta região".

A cerimónia terminou com uma homenagem ao poeta Fernando Assis Pacheco, junto a uma pedra onde foi fotografado um mês antes da sua morte, ocorrida em 1995, tendo estado presentes a esposa e dois filhos do falecido.

"Agradeço a ideia, por se terem lembrado dele", disse a viúva Rosarim Pacheco, recordado que "foi aqui que ele fez a última reportagem e gostou muito de vir cá".

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