Soroptimist Porto abre nove centros de acompanhamento
O clube do Porto da organização internacional Soroptimist, que promove a defesa dos direitos humanos e do estatuto da mulher, inaugura hoje em Lavra (Matosinhos) o primeiro de nove centros de acompanhamento às vítimas de violência doméstica.
A Soroptimist é uma organização mundial feminina criada em 1921 em Oakland, Estados Unidos, e que desenvolve projectos de defesa dos direitos humanos, da igualdade e do estatuto da mulher.
O clube do Porto da organização tem uma residência temporária ("Porto d+Abrigo") para vítimas de violência doméstica, com capacidade para 16 mulheres e seus filhos, e já desenvolveu outros projectos nesta área, o último dos quais ("Estrada Larga", terminado em Março) envolveu em 18 meses cerca de 400 acções de informação e sensibilização.
A responsável pela equipa do projecto "Novo Rumo - para uma vida sem violência", Patrícia Correia, disse segunda-feira à Agência Lusa que os nove centros de acompanhamento e o centro-piloto criado em Abril em Oliveira do Douro, Gaia, vão funcionar quinzenalmente em cada local.
O centro de acompanhamento de Lavra vai funcionar na sede da Junta de Freguesia, às quintas-feiras (de duas em duas semanas) das 14:00 às 17:30, ao abrigo de um protocolo que será assinado hoje.
Os próximos centros serão inaugurados na Junta de Baguim do Monte, Gondomar, na Câmara de Gondomar e na Junta de Freguesia de Massarelos, Porto, respectivamente dias 07, 14 e 21 de Junho, alargando-se mais tarde o projecto aos distritos de Aveiro e Braga, disse Patrícia Correia.
O "Novo Rumo" está a decorre desde Outubro de 2004 e prolonga- se até Março de 2006, após aprovação da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, e é financiado pelo Fundo Social Europeu.
O objectivo deste projecto é "criar infra-estruturas que permitam um apoio próximo e constante à mulher vítima de violência doméstica".
Na primeira fase do projecto, as autarquias abrangidas vão contar com o apoio de uma técnica da Soroptimist.
Dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) indicam que morrem por ano cerca de 60 mulheres em Portugal em consequência de maus-tratos e violência doméstica.
De acordo com a Comissão Nacional para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres (CIDM), foram apresentadas em 2003 nas autoridades policiais e judiciais cerca de 14.000 queixas de violência doméstica, número considerado "ínfimo" relativamente à realidade.
Vinte e dois por cento das queixas de violência doméstica em Portugal têm origem no distrito do Porto, segundo dados revelados em Março pela dirigente do Clube do Porto da Soroptimist Teresa Rosmaninho.
"Este grande aumento do número de queixas talvez seja porque há agora muitas instituições no Porto a trabalhar na luta contra a violência doméstica, o que não acontecia há 10 anos", afirmou a responsável.