SOS Racismo diz que Rio respondeu com "autismo e medidas policiais"

A organização SOS Racismo denunciou hoje o que considera "a arrogância do presidente da Câmara do Porto que, "aos pedidos de diálogo, respondeu com autismo, prepotência e medidas policiais" aos locatários das barracas demolidas no Bacelo.

Agência LUSA /

Em comunicado, a organização acusa ainda Rui Rio de "políticas racistas e xenófobas ante a solução apresentada", que passa pelo alojamento provisório em pensões das 46 pessoas de etnia cigana que residiam na rua do Bacelo.

Considerando que a decisão da autarquia "não respeita a cultura cigana", o SOS Racismo apela ao "direito à habitação, à igualdade e ao respeito pelos direitos humanos", garantindo que as famílias visadas "continuam dispostas a lutar pela via mais civilizada, pacífica e honrada".

O vereador do Urbanismo na Câmara do Porto, Lino Ferreira, ordenou segunda-feira à tarde o "despejo imediato" daquelas famílias, tendo a demolição das barracas sido iniciada hoje de manhã.

Rui Rio, pediu também hoje a intervenção do Governo para obrigar a Segurança Social a realojar provisoriamente 46 locatários das barracas demolidas.

Fonte da presidência da autarquia disse à Lusa que Rui Rio telefonou, ao princípio da tarde, ao secretário de Estado da Segurança Social, Rui Marques, pedindo-lhe que instrua os serviços da Segurança Social no Porto para que "assumam as suas responsabilidades".

Respondendo a perguntas da oposição socialista, hoje, em sessão pública camarária, o vereador de Urbanismo, Lino Ferreira (PSD/CDS), recusou que o despejo dessas famílias tenha sido determinado por razões étnicas ou económicas.

"As famílias foram tratados como quaisquer outras em situação similar" de insalubridade, garantiu.

Todas as famílias residentes nas barracas da Rua do Bacelo dependem do Rendimento de Inserção Social, subsídio que receiam perder agora que ficam sem residência.

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