Subida da água de Santa Clara, Odemira, ainda insuficiente para consumo

O nível de água da albufeira de Santa Clara, em Odemira, subiu cerca de 1,90 metros desde o início das chuvas, mas, para fazer face às necessidades das descargas anuais, o volume armazenado ainda terá de duplicar.

Agência LUSA /

Manuel Amaro, responsável da Associação de Beneficiários do Mira (ABM), que gere a albufeira, explicou hoje à agência Lusa que, para evitar problemas no próximo Verão, a quota de Santa Clara "deve aumentar em, pelo menos, 25 milhões de metros cúbicos, para assegurar os cerca de 35 milhões de metros cúbicos de facturação da água".

O director da empresa gestora da água da albufeira de Santa Clara, com uma capacidade máxima de 485 milhões de metros cúbicos de água, adiantou que só assim se poderá evitar recorrer ao uso de bombas para o abastecimento dos clientes.

"O ideal era que o volume de água aumentasse mais do que a quantidade que gastamos anualmente" disse Manuel Amaro, sublinhando que, dessa forma, o saldo ficaria positivo para o próximo ano ou até anos seguintes.

Considerando que a albufeira de Santa Clara continua em situação de seca, apesar das chuvas registadas até agora, Manuel Amaro referiu disse que, no último ano, a pluviosidade atingiu apenas os 200 litros por metro quadrado.

"Este é um valor abaixo da média anual de 255 litros registada no deserto do Sahara", exemplificou, sublinhando que, em Portugal, a pluviosidade média anual situa-se nos "550 litros por metro quadrado".

A água da barragem de Santa Clara, no interior do concelho de Odemira, é transportada até ao litoral através de um canal de rega em céu aberto com cerca de 120 quilómetros.

Além de abastecer a maior parte da população do concelho de Odemira e uma parte do de Aljezur, a água também é utilizada nas minas da Somincor, em Castro Verde, e na agricultura.

Dos cerca de 35 milhões de metros cúbicos de água vendida anualmente pela ABM, 30 milhões servem os agricultores, através de uma rede de canais de rega que totaliza cerca de 500 quilómetros, outros três milhões são consumidos pelas populações de Odemira e Aljezur e dois milhões destinam-se às minas da Somincor.


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