Tancos. Ex-diretor da Polícia Judiciária Militar ouvido esta terça-feira

por RTP
Para a parte da tarde, está previsto o interrogatório ao coronel da GNR Taciano Correia, detido em agosto no aeroporto de Lisboa Lusa

Prosseguem esta terça-feira os interrogatórios no âmbito da instrução do processo sobre o furto e recuperação de armamento dos Paióis Nacionais de Tancos. Hoje são ouvidos Luís Vieira, ex-diretor da Polícia Judiciária Militar, e Taciano Correia, ex-diretor de investigação criminal da GNR.

O Ministério Público acusou o coronel Luís Vieira dos crimes de associação criminosa, tráfico e mediação de armas, falsificação ou contrafação de documentos, denegação de justiça e prevaricação e favorecimento pessoal praticado por funcionário.

O advogado do ex-diretor da Polícia Judiciária Militar afirma que o Coronel Luís Vieira está tranquilo para responder a todas as questões e assumir as devidas responsabilidades.

“Não é estar a dizer que o senhor coronel tem ou não tem responsabilidade. Porque há sempre uma responsabilidade daquilo que é ele o diretor-geral. E essa responsabilidade tem de ser apurada pelo tribunal”, afirmou o advogado Rui Baleizão à entrada para o interrogatório no Tribunal de Monsanto.

Rui Baleizão afirma que o seu cliente apesar de ser diretor da Polícia Judiciária Militar não tinha responsabilidades operacionais nas investigações.

“As equipas do âmbito da investigação criminal trabalham descentralizadas. (…) o diretor-geral sabe os pormenores de todas as operações que são feitas no terreno”, acrescentou.
“Nós estamos perfeitamente tranquilos para responder ao que for necessário”, realçou.

Para a parte da tarde, está previsto o interrogatório ao coronel da GNR Taciano Correia, detido em agosto no aeroporto de Lisboa, que responde por associação criminosa, um crime de tráfico e mediação de armas, dois de falsificação ou contrafação de documentos, um de denegação de justiça e prevaricação e outro de favorecimento pessoal praticado por funcionário.

O processo de Tancos tem 23 arguidos.Autorizada ao mais alto nível
Ontem foi ouvido o ex-militar da GNR de Loulé Bruno Ataíde, que afirmou ao juiz Carlos Alexandre que a encenação para recuperar o material furtado foi autorizada “ao mais alto nível” e que o então ministro da Defesa, Azeredo Lopes, tinha conhecimento do plano.

Bruno Ataíde terá sido o elo que ligou os elementos da GNR e da PJ Militar a João Paulino, apontado como presumível autor do furto das armas.Bruno Ataíde era militar do Departamento de Investigação Criminal de Loulé e está acusado de cinco crimes em coautoria.

Em causa estão os crimes de associação criminosa, tráfico e mediação de armas, falsificação ou contrafação de documentos, denegação de justiça e prevaricação e favorecimento pessoal praticado por funcionário.

Ao juiz Carlos Alexandre garantiu que foi apenas um intermediário na recuperação das armas.


À saída da audiência, Fernando Cabrita, o advogado de Bruno Ataíde, frisou que o ex-militar de Loulé pertencia a uma cadeia hierárquica e apenas cumpria ordens.

“Estamos a falar de um processo em que há uma Polícia Judiciária Militar e uma GNR, e que todas estas organizações funcionam em cadeias hierárquicas”, afirmou Fernando Cabrita.

O advogado de Bruno Ataíde realçou que representa “o mais baixo que há aqui”.
“Que não direi que é um simples guarda, mas é um guarda com toda a dignidade que isso comporta. Mas é um guarda que na cadeia hierárquica está no lugar que se adivinha”, acrescentou.

Para o causídico é “presumível” que Bruno Ataíde tenha cumprido ordens. “Porque se não teríamos aqui mais um outro crime, de desobediência, de insubordinação”, rematou.
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