Teatro da Cornocópia pela 1ª vez no Algarve apresenta "Esopaida"

A "Faro, Capital Nacional da Cultura 2005" vai traz pela primeira vez ao Algarve o histórico "Teatro da Cornucópia", que apresenta de 25 a 27 de Novembro a "Esopaida", do dramaturgo António José da Silva.

Agência LUSA /

No âmbito da comemoração dos 300 anos do nascimento de António José Silva, também conhecido por "O Judeu", o Teatro da Cornucópia, fundado em 1973 por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, estreia-se em terras algarvias no Teatro Municipal de Faro, a um mês do fim da +Faro 2005+, que termina a 31 de Dezembro.

O dramaturgo António José da Silva, autor de peças como "Esopaida ou Vida de Esopo" (1734), "Encantos de Medeia" (1735) ou "Guerras do Alecrim e da Mangerona" (1737), foi estrangulado e queimado em 1739, em Lisboa, por decisão do Santo Ofício da Inquisição.

Para celebrar o nascimento do dramaturgo, a "Cornucópia" leva à cena a peça "Esopaida", apresentada pela primeira vez por António José da Silva em 1734, no antigo Teatro do Bairro Alto (Lisboa), e que conta as divertidas aventuras de Esopo, um lendário escravo grego.

A história decorre na antiga Atenas (Grécia), atacada pelo exército de um rei Cresso da Lídia e transformada numa criatura da pequena vida da burguesia lisboeta do século XVIII e desenrola-se com críticas à sociedade da época, com brincadeiras, brejeirices, amores e guerras.

Com encenação de Luís Miguel Cintra e a música a cargo de Vasco Pimentel, a peça conta com 11 actores, entre os quais, Luís Miguel Cintra, David Almeida, Luís Lima Barreto, Manuel Romano, Márcia Breia, Rita Durão e Ricardo Aibéo e Sofia Marques.

Os espectáculos sobem ao palco do Teatro Municipal de Faro às 21:30 dos dias 25 e 26 de Novembro e às 16:30 no dia 27.

A "Esopaida" pode ser vista a partir dos 12 anos de idade e os ingressos custam 10 euros (sujeitos a descontos de 50 por cento para menores de 25 anos e maiores de 65 anos).

Devido à censura, até ao 25 de Abril, o Teatro da Cornucópia trabalhou com um reportório clássico, nomeadamente Molière e Marivaux, mas desde então tem levado à cena peças baseadas na dramaturgia contemporânea "engagée" (comprometida) com determinadas realidades, apelando à reflexão da realidade portuguesa.

Alguns dos grandes clássicos de Gil Vicente, Shakespeare, Tchekov ou dramaturgos mais radicais como Beckett, Botho Strauss ou Orton foram já encenados pelo Teatro da Cornucópia, companhia que tenta aliar o teatro a actividades paralelas como formação técnica para actores, exposições, colóquios ou leitura de textos.

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