Teixeira de Sousa "contribuiu para humanismo cabo-verdiano"
O escritor Henrique Teixeira de Sousa, hoje falecido em Oeiras, "além do homem grande que era, contribuiu de forma sólida para o humanismo cabo-verdiano", disse hoje o presidente da Associação de Escritores de Cabo Verde(AECV), Corsino Fortes.
Em declarações à agência Lusa, Corsino Forte assinalou que Teixeira de Sousa, na sua opinião "um dos maiores nomes da literatura lusófona", deixou "muitos projectos" por concretizar.
"O próprio falou-me de projectos que tinha em mente concretizar, e esta morte violenta impediu que isso acontecesse", disse, adiantando que a forma como faleceu "criou um ainda maior sentimento de perda".
Teixeixa de Sousa, de 86 anos, autor de algumas das mais conhecidas obras literárias cabo-verdianas, como ""Contra Mar e Vento" ou "Ilhéu de Contenda", faleceu hoje em Oeiras, Portugal, vítima de atropelamento.
O presidente da AECV não tem "quaisquer dúvidas" de que o factor humano que "agrega a Nação cabo-verdiana tem, neste momento, um profundo sentimento de ausência".
Na sua opinião, o facto de Teixeira de Sousa estar em Portugal há muitos anos "nada retirou à profunda dimensão cabo-verdiana da sua obra", até porque, frisou, "era um homem que escrevia apenas com um profundo conhecimento daquilo sobre que se debruçava nos seus livros".
"Todos os seus livros tinham como que uma base científica, uma dimensão ensaística, porque Teixeira de Sousa não era homem para falar de nada que não conhecesse profundamente", insistiu.
Com a obra que deixa como legado, disse ainda, Teixeira de Sousa prova "que a morte não interrompe a vida", porque "é imensa a vida que percorre a sua literatura".
Henrique Teixeira de Sousa, médico de profissão, que exerceu em Portugal durante décadas, vai, sublinha Corsino Fortes, "directamente para o Panteão dos homens grandes" de Cabo Verde.
Em Lisboa, a morte de Teixeira de Sousa motivou ao encarregado de negócios de Cabo Verde, Daniel Pereira, um breve texto de tonalidade poética em que cita alguns dos tópicos recorrentes na novelística do autor.
"Ao sabor do Mar, a favor do Vento - escreve -, cala-se no asfalto o Capitão de Mar e Terra em dia de chuva aziaga, 3 de Março de 2006".
"Ao longe - prossegue -, a sua Ilha imponente recebe-o e conforta-nos, por andemos, entre as páginas de histórias que nos deixou no cais. Depois de todas as partidas e chegadas, Henrique Teixeira de Sousa navega, agora, no Panteão dos Cabo-Verdianos que souberam dignificar o nosso ser" Evocando o último romance escrito pelo autor, Daniel Pereira termina dizendo: "Neste Mar de Túrbidas Vagas, recolhemo-nos na sua partida. Até sempre"! RB.