Telemóvel apreendido pela PJ a Licínio Santos diferente do número que foi alvo de escutas

Gondomar, 28 Abr (Lusa) - O número do telemóvel apreendido a Licínio Santos, acusado no processo Apito Dourado de dois crimes de corrupção desportiva passiva, não coincide com o que foi alvo de escutas telefónicas, disse hoje responsável da PJ.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Sandra Rodrigues, inspectora da Polícia Judiciária, foi hoje ouvida em Gondomar para a descoberta da verdade quanto às escutas telefónicas que resultaram na transcrição de conversas entre Licínio Santos e Valentim Loureiro.

Em causa está uma conversa na qual, alegadamente, o árbitro da Associação de Futebol de Leiria pedia bilhetes para o jogo inaugural do Euro 2004 ao então presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Valentim Loureiro.

Sandra Rodrigues admitiu nunca ter ouvido "a conversa em tempo real", tendo chegado à conclusão que um dos interlocutores "era Licínio Santos porque a voz era idêntica".

A inspectora, que esteve responsável pela transcrição das escutas dos "alvos" Valentim Loureiro e José Luís Oliveira, explicou ao tribunal que recebeu a "informação que esse telemóvel pertencia a Licínio Santos".

"Se imputei essa conversa a Licínio Santos é porque tive essa convicção", sustentou a inspectora da PJ.

Durante a manhã foram ainda ouvidas testemunhas de defesa dos árbitros Pedro Sanhudo, Hugo Vladimiro e João Macedo.

Confrontadas com a leitura de várias escutas, com destaque para a alegada conversa entre João Macedo e Pedro Sanhudo após o jogo entre o AC Bougadense e o Sousense na qual Macedo conta nunca ter assistido a "tanta roubalheira", as testemunhas referiram tratar-se de uma "brincadeira".

Adalberto Maia, presidente do Atlético Clube Bougadense e testemunha do arguido Pedro Sanhudo, explicou que "eles (árbitros) gostam de brincar nesse sentido".

"Esse tipo de situações levo-as para a brincadeira por aquilo que ele é", justificou, por seu lado, Paulo Januário, árbitro assistente e testemunha de João Macedo.

As explicações das testemunhas levaram Carneiro da Silva a lembrar que "o importante numa acção é a intenção com que é feita".

"Eu é que vou decidir se estavam a brincar ou não", sustentou o juiz presidente.

O julgamento prossegue durante a tarde com a inquirição de testemunhas de Silva Peneda e Ricardo Pinto.

O processo "Apito Dourado", que incluiu investigações a alegados casos de corrupção e tráfico de influências no futebol, foi tornado público a 20 de Abril de 2004, com a detenção para interrogatório de vários dirigentes.

PUB