Televisão Digital Terrestre chega a Portugal

Portugal entra hoje na era da Televisão Digital Terrestre (TDT) ao ser desligado o emissor de Palmela e os retransmissores de Alcácer do Sal, Melides e Sesimbra. Os primeiros distritos que passam a receber apenas o sinal de televisão digital são os de Beja, Évora, Lisboa, Santarém e Setúbal. A Diretiva Europeia determina que a migração definitiva para a TV Digital Terrestre seja feita até ao final de 2012. Esta manhã o secretário de Estado Adjunto, Feliciano Barreiras Duarte, explicou na RTP os efeitos da entrada na era digital.

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Portugal inicia esta manhã a era da televisão digital DR

Em Portugal a transição do sistema analógico para o sistema digital fica concluída a 23 de Fevereiro e até lá vão ser cumpridas várias etapas com o desligamento de vários emissores e depois os respetivos retransmissores.

A seguir ao emissor de Palmela e aos três retransmissores em Alcácer do Sal, Melides e Sesimbra, a serem desligados já hoje, a 23 de janeiro é desligado o emissor da Foia-Monchique que serve o Algarve e o Alentejo.

A 1 de fevereiro dá-se o apagão do emissor de Monsanto, em Lisboa, que serve a zona Oeste, Ribatejo e norte do Alentejo e a 13 de fevereiro desliga-se o sinal analógico do emissor de Reguengo do Fetal que serve a zona oeste e o litoral centro.

A 23 de fevereiro é apagado o emissor de São Macário que serve o litoral norte e o centro do país.

Vão continuar ligados quatro emissores principais que servem as antenas do Monte da Virgem e de Montejunto.

Como justificação para este faseamento a ANACOM refere o facto de muitos portugueses terem optado por fazer a transição em cima da hora.

Sem televisão só por culpa própria

Esta manhã esteve nos estúdios da RTP o secretário de Estado Adjunto, Feliciano Barreiras Duarte, que sobre o processo que hoje tem início se recusou a admitir que muitos portugueses vão ficar sem ver televisão, mas reconheceu a necessidade das entidades competentes efetuarem um trabalho de acompanhamento para que nos próximos meses os portuguesas continuem a ter acesso a televisão e de melhor qualidade.

“O que admito é que a partir de hoje a ANACOM e todas as entidades envolvidas no processo vão ter que acompanhá-lo de uma forma particular e garantir que o mesmo decorra dentro da normalidade e que nos próximos meses a maior parte dos portugueses continuem a ver televisão, mas com melhor qualidade e que muitos dos problemas que têm sido aventados nos últimos dias sejam ultrapassados”, referiu Barreiras Duarte.

Já sobre os portugueses que hoje vão ficar sem ver televisão, o secretário de Estado admite que tal irá acontecer mas “por culpa própria” já que “nos últimos meses tem sido feito um grande esforço pelo Governo e por parte de todas as entidades envolvidas no processo para que a generalidade dos portugueses conheçam a forma de resolver esses problemas”.

Para este responsável do Governo tem havido “um alarmismo e um ruído excessivo infelizmente na procura desnecessária de politizar e partidarizar um processo que começou no ano 2000, que teve algumas interrupções e que, reconhecidamente por imposição europeia, teve um novo impulso em 2007 e este Governo, que tomou posse há seis meses, encontrou o processo em andamento e com vários atrasos e o que tem vindo a fazer é procura resolver muitos dos problemas que existiam”.

Feliciano Barreiras Duarte referiu ainda que o adiamento deste processo esteve em cima da mesa, mas que a conclusão a que se chegou era que de todo era impossível travar o calendário em marcha.

“Não há que esconder que o Governo equacionou o seu adiamento, mas chegou à conclusão que os benefícios seriam muito pequeninos para aquilo que estava envolvido”, reconheceu.

Já em relação ao pacote de canais, apenas quatro, os mesmos já existentes no sistema analógico, que o sistema de Televisão Digital Terrestre oferece em comparação com outros países, Barreiras Duarte esclareceu que estamos perante realidades diferentes.

“Este processo decorre de um concurso público e o anterior Governo decidiu que o espectro de canais seria este, aliás num máximo serão sete, e tem sido referido os casos de Espanha mas as realidades são diferentes porque em Espanha temos um sistema jurídico ou administrativo diferenciado do nosso, com várias regiões, e também com base nisso que é importante sermos rigorosos na abordagem ao universo dos canais e Portugal tem uma realidade diferente”, explicou.

Mesmo assim o secretário de Estado deixou em aberto a possibilidade de a médio e longo prazo poderem ser considerados mais canais a nível do TDT.

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