Telmo Correia, o candidato que vê o Panda

Quem se habituou a vê-lo de fato e gravata dificilmente imagina que o cabeça-de-lista do CDS-PP à Câmara de Lisboa gosta de futeboladas com os amigos, é amante de passeios de mota e até vê o canal Panda.

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Pai de um bebé que completará sete meses a três dias das eleições, Telmo Correia não esconde que por vezes quer ver notícias na televisão, mas acaba por ceder aos desenhos animados para não contrariar o pequeno Telmo, que "berra" quando lhe mudam a programação, conta.

O nome do bebé respeita uma tradição familiar.

A outra filha do candidato, Mafalda, 24 anos (do primeiro casamento), seguiu-lhe as pisadas ao optar pelo curso de Direito, que está prestes a terminar e quando pode "vai dando uma ajuda na campanha", revela.

"A minha filha diz, com muita graça, que ainda não percebeu se é tia ou irmã do bebé", conta divertido durante uma breve conversa com a agência Lusa a meio de um agitado dia de campanha, que compatibiliza com as funções de líder parlamentar e as solicitações dos jornalistas para reagir às notícias do dia.

Se com o bebé passou a ser espectador do Panda, com a Mafalda, actriz amadora desde o liceu, passou a ser um frequentador mais assíduo das salas de teatro.

"Preferia o cinema, hoje gosto mais de teatro do que gostava (...) também há mais produções, mais oferta", refere.

De manhã em acções de rua pela cidade, à tarde na Assembleia da República e à noite de novo em campanha, Telmo Correia diz que não consegue desligar-se completamente da política quando está em casa, mas gosta muito de "falar de outras coisas".

A mulher, que foi dirigente do CDS no Porto e autarca de junta de freguesia, é que puxa por ele: "Gosta muito de saber tudo o que é da política. Às vezes diz-me ´então não me contas?`".

As leituras do candidato resumem-se hoje ao seu programa eleitoral, mas confessa-se "viciado em revistas", portuguesas e estrangeiras dos mais variados géneros, incluindo automóveis e motociclismo.

Quando o tempo permite, gosta de passear de mota pelos arredores da cidade, esticando mesmo as duas rodas até ao Alentejo.

O gosto pelo ténis já lhe é conhecido. É presença habitual nos torneios, faz parte da equipa da Assembleia da República - que joga com parlamentos de outros países e lhe permitiu experimentar os courts relvados de Wimbledon.

Além disso, joga "socialmente" com os amigos, com os quais também não dispensa umas "futeboladas".

A última vez que brincou com uma bola foi "contra o Chico Buarque" e a sua banda, por ocasião dos últimos concertos do músico em Lisboa "há uns meses", recorda antes de entrar para a sessão plenária.

Para trás ficou a visita a um mercado, um contacto com a população na rua e com o rosto da abstenção - "eu não voto porque ninguém me dá nada", dizia para os clientes em voz alta a empregada de um dos cafés onde entrou.

Mais à frente, numa esplanada, um idoso não se contenta com o panfleto que lhe é entregue e pede mesmo um autógrafo ao candidato, que prontamente pede uma caneta.

Por entre queixas sobre o estado da cidade e alguma indiferença em relação aos políticos, Telmo Correia conta com um apoio inesperado. Uma apoiante sem filiação partidária, aguarda-o logo de manhã para segurar na bandeira do partido e ajudar a distribuir os panfletos.

"Não é a primeira vez que faço isto, gosto muito do senhor doutor. Liguei para a Assembleia da República a perguntar e uma senhora, secretária, disse-me que ele ia estar aqui", conta a apoiante.

O "peso" do Parlamento na candidatura de Telmo Correia nota-se aliás pela presença de mais três deputados na comitiva: António Carlos Monteiro, Diogo Feio e Nuno Magalhães.

"O Parlamento saiu à rua", exclama alguém.

O almoço é no refeitório das Oficinas da Câmara e antes de seguir para o Parlamento ainda há que passar por casa. Era dia de vacinas para o bebé.

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