Terapia hormonal aumenta risco de cancro da mucosa do útero, diz Infarmed

A autoridade nacional para os medicamentos anunciou hoje que há risco acrescido de cancro do útero na terapia hormonal de substituição feita apenas com estrogénios ou o composto sintético tibolona, mas mantém a recomendação para o seu uso.

Agência LUSA /

A informação divulgada pelo Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) baseia-se em novos resultados do estudo +Million Women Study+, realizado no Reino Unido, entre 1996 e 2001, em mais de um milhão de mulheres na menopausa, com idade entre os 50 e os 64 anos e a utilizar terapêutica hormonal de substituição (THS).

Segundo o Infarmed, "existe um risco acrescido de cancro do endométrio (mucosa do útero) em utilizadoras da THS apenas com estrogénios ou tibolona, quando comparado com não utilizadoras de THS", mas este risco desce significativamente quando é adicionado um progestagénio à terapêutica.

"No caso da tibolona verificou-se que o risco é dependente da utilização, não sendo significativo numa utilização inferior a três anos, mas aumenta significativamente após o terceiro ano de utilização", alerta o Infarmed.

Porém, o instituto sublinha que "esta informação não é passível de alterar a relação benefício/risco para a utilização a curto prazo deste tipo de terapêutica" e que "ambos os riscos deverão ser considerados na decisão para o tratamento que melhor se enquadre, tendo em conta a individualidade de cada mulher".

Segundo o Infarmed, "para o tratamento dos sintomas da menopausa, os benefícios resultantes da utilização de curto prazo da THS ultrapassam os riscos para a maioria das mulheres".

Em 2000, o Infarmed deu conta da interrupção deste estudo e de que os seus resultados vieram confirmar que a THS "não previne doenças cardíacas, podendo eventualmente até aumentar este risco durante o primeiro ano de utilização", "tendo-se verificado também o aumento do risco de cancro de mama".

Dois anos mais tarde, novos dados "vieram confirmar as conclusões de outros estudos anteriores, relativamente ao risco acrescido de cancro da mama, associado à terapêutica hormonal de substituição (THS)", afirma o Infarmed.

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