Tigre do Circo Atlas fere mulher, liga direitos animais alerta condições de stress
Um tigre do Circo Atlas arrancou quinta-feira parte do braço a uma mulher que o tentou acariciar na sua jaula, o que, para os defensores dos direitos dos animais, mostra "as condições de stress em que vivem" estas feras.
A mulher, de origem romena e grávida encontra-se hospitalizada no Hospital de São José, em Lisboa, instituição que não presta informações sobre o estado de saúde da doente, a seu pedido.
Perante este acidente, a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (LPDA) anunciou hoje que vai solicitar esclarecimentos ao Ministério da Agricultura sobre a responsabilidade pelos animais e a forma como estes são mantidos nos circos.
Walter Dias, domador que integra a direcção do Circo Atlas, que se encontra no Seixal, disse à agência Lusa que o acidente ocorreu quando a noiva de um funcionário da organização tentou acariciar o tigre.
Ao colocar o braço entre duas grades, a mulher foi atacada pelo felino que lhe desfez uma parte significativa desse membro superior.
Segundo Walter Dias, tratou-se de um acto "inconsciente de alguém que se esqueceu de que um tigre é um tigre e que estes animais têm uma força maxilar de 15 toneladas".
Em declarações Lusa, a presidente da LPDA disse que um acto como este mostra "o stress permanente em que os animais vivem nos circos".
Por esta razão, a LPDA defende "o fim progressivo da utilização dos animais nos circos".
Até lá, prosseguiu, a LPDA vai ainda solicitar aos grupos parlamentares que tomem uma posição sobre esta matéria, tal como aconteceu com os cães de raça perigosa.
"Estes animais são selvagens e reagem instintivamente, mas os donos - que são autênticos criminosos - esquecem-se disso", adiantou Maria do Céu Sampaio.
Para a LPDA, o acidente mostra "o perigo iminente da existência destes animais junto de pessoas [espectadores]" e revela "o que pode acontecer na época natalícia - quando os circos estão cheios - se um animal se soltar e decidir atacar".