Tiro "foi atingida selectivamente", diz Fernando Nobre
A equipa da Assistência Médica Internacional (AMI) no Líbano chegou hoje cerca das 15:00 (13:00 em Lisboa) a Tiro, cidade que, segundo o presidente da organização, "foi atingida selectivamente".
Fernando Nobre disse à agência Lusa que a viagem de Beirute a Tiro, que normalmente durava uma hora, foi feita em "seis horas" e com "um trânsito infernal".
A trégua de 48 horas de bombardeamentos aéreos do Líbano decretada pelo governo israelita foi aproveitada pela equipa da AMI, que chegou sábado ao país, para se deslocar ao Sul e também por "muita gente (deslocados) a querer subir em direcção à capital".
Segundo Fernando Nobre, alguns dos libaneses do Sul que fugiram para Beirute desde o início da ofensiva do exército israelita, há 20 dias, tentavam também hoje regressar para "verem como estavam as suas casas".
A Força Aérea israelita iniciou a 12 de Julho uma série de ataques ao Líbano em resposta à captura de dois soldados israelitas, dentro do território de Israel, por parte de militantes do grupo radical islâmico Hezbollah.
No caminho, a AMI encontrou também alguns camiões de ajuda humanitária que tentam igualmente aproveitar a trégua.
Além do trânsito, a viagem demora tanto tempo porque as viaturas têm de seguir por "caminhos de cabras", no dizer de Fernando Nobre, dado a auto-estrada que liga Beirute e Tiro ter "sido bombardeada, assim como várias pontes".
A equipa da AMI, que além do médico Fernando Nobre integra um enfermeiro e um logístico, pretende seguir imediatamente para Caná que foi domingo alvo de um ataque aéreo israelita.
Pelo menos 57 civis, entre as quais 37 crianças, morreram domingo em Caná, quando se refugiavam dos bombardeamentos na cave de um edifício de três andares, que desabou sobre eles ao ser atingido por uma bomba israelita.
A AMI vai tentar ainda chegar ao município de Ainata, junto à fronteira com Israel. A organização está a dar apoio a 450 famílias desta localidade, actualmente distribuídas por seis escolas em Beirute.
Numa primeira fase, a assistência consistirá na compra e distribuição de leite, arroz, farinha e outros alimentos de que os deslocados carecem.
"Posteriormente, quando houver pacificação, estamos a pensar ajudá-los na reinstalação, nomeadamente a montar um posto de saúde e a dar-lhes assistência na agricultura, na replantação dos campos, já que a maioria se dedica à cultura do tabaco", afirmou Fernando Nobre.
Outra organização portuguesa que vai prestar ajuda à população libanesa é a Oikos - Cooperação e Desenvolvimento, que, em comunicado, apela ao apoio de "todos os cidadãos solidários para minorar os efeitos da crise".
A Oikos está a preparar uma acção de ajuda humanitária de emergência ao Líbano, tendo como objectivos imediatos "garantir que os refugiados e deslocados internos tenham acesso a água potável e assegurar as condições de saneamento básico".
Considerando não poder "ficar indiferente ao sofrimento das populações locais e ao apelo de organizações da sociedade civil libanesa", a Oikos decidiu "tomar a iniciativa de se juntar a outras ONG, locais e internacionais, para minorar os efeitos desta crise humanitária".
"Na fase de emergência privilegiaremos uma intervenção no sector da água e saneamento. Logo que seja possível restabelecer a paz no Líbano, a Oikos iniciará projectos de reabilitação e de desenvolvimento nas zonas afectadas", adianta o comunicado.