Trabalhadores da Gestnave exigem integração na Lisnave

Os trabalhadores da Gestnave e empresas associadas (Erecta, ACI e EPA) cumprem hoje uma paralisação de duas horas para exigirem a integração na Lisnave, como está previsto no protocolo assinado pela empresa e pelo estado português em 1997.

Agência LUSA /

O Protocolo de Acordo/97 obrigava a Lisnave a incluir 1.339 trabalhadores no seu quadro de pessoal mas, segundo a CT da Gestnave e da Lisnave, "neste momento, a empresa tem menos de 400 efectivos e mais de 1.500 trabalhadores em situação de trabalho precário".

A Gestnave foi constituída pelo estado no âmbito do processo de reestruturação da indústria naval do Distrito de Setúbal, quando foi decidido o encerramento dos estaleiros da Margueira, em Almada, e a transferência da Lisnave para a antiga Setenave, em Setúbal.

A empresa tinha como principal objectivo fornecer mão-de-obra à Lisnave e minimizar os impactes sociais decorrentes da redução de trabalhadores nos estaleiros navais de Setúbal e do encerramento dos estaleiros da Margueira, em Almada.

Segundo Miguel Moisés, da Comissão de Trabalhadores, apesar do acordo assinado com o estado português, "a Gestnave e a Lisnave juntas não chegam a ter um total de 700 trabalhadores e o Governo nada faz para que a empresa cumpra o protocolo". Durante a paralisação prevista para esta quarta-feira, entre as 8:00 e as 10:00, os trabalhadores deslocam-se para Almada a fim de participarem numa Assembleia-geral junto ás instalações da Gestnave naquela cidade, para exigirem o cumprimento do protocolo de 97.

Miguel Moisés adiantou que durante a reunião deverá ser aprovada uma resolução a exigir o início das negociações com vista à manutenção do contrato de prestação de serviços "take or pay", entre a Gestnave e a Lisnave, para o segundo semestre de 2007.

"Não queremos que o contrato de prestação de serviços termine enquanto não estivermos integrados na Lisnave, porque esse contrato é uma garantia da nossa integração na Lisnave", justificou.

Os trabalhadores da Gestnave têm já programada uma outra Assembleia-geral, para 28 de Março, entre as 9:00 e as 11:00, junto ao Ministério da Economia, para sensibilizarem o governo da necessidade de obrigar a Lisnave a cumprir o Protocolo de 97.

PUB