Trabalhadores da Prosegur exigem intervenção do Governo contra fecho de delegação
O Sindicato dos Trabalhadores de Actividades Diversas, que inclui os serviços de portaria e vigilância, exigiu hoje a intervenção do Governo para a "imediata revogação" do despedimento colectivo na filial de Torres Novas da Prosegur.
Cerca de 60 a 70 dirigentes, delegados e activistas do Sindicato dos Trabalhadores dos Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades Diversas (STAD) - incluindo 12 trabalhadores da filial de Torres Novas que aquela empresa de segurança privada quer despedir - concentraram-se hoje à tarde em frente da residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, para exigir uma intervenção governamental.
"A concentração começou com cerca de 60 a 70 participantes, mas no final eram aproximadamente 30", disse à Agência Lusa um agente policial que esteve a acompanhar o protesto, que começou de manhã no Rossio, dirigindo-se à tarde para as imediações da residência oficial do primeiro- ministro.
Depois de aprovada pelos manifestantes, foi entregue a um representante do gabinete do primeiro- ministro, Santana Lopes, uma resolução em que a administração da Prosegur é acusada de realizar "um despedimento colectivo ilegítimo dos trabalhadores da sua filial de Torres Novas, a terceira maior do país", para depois "encerrá-la".
A Prosegur vai "mesmo encerrar" na próxima sexta- feira a sua delegação de Torres Novas porque 12 trabalhadores locais não aceitam novos horários de trabalho, confirmou hoje à Agência Lusa o director de Recursos Humanos da empresa, Luís Silva.
Em causa está a recusa por 12 dos 19 trabalhadores da Prosegur em Torres Novas de horários rotativos sem remuneração suplementar.
Nos termos do documento entregue hoje em São Bento, "este despedimento colectivo só tem como verdadeiro motivo a vingança da administração da Prosegur contra a legítima recusa dos trabalhadores em alterarem o seu horário de trabalho para um outro que lhes criava elevados prejuízos pessoais e familiares".
O STAD (afecto à CGTP) argumenta que "a posição dos trabalhadores não só foi legítima como legal, devidamente suportada no Código do Trabalho, o que o próprio Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT) reconheceu ao ter instaurado um processo de contra- ordenação à Prosegur".
Confrontado com esta acusação, o director de Recursos Humanos da Prosegur, Luís Silva, adiantou à Agência Lusa que "hoje mesmo a Subdelegação de Tomar do IDICT comunicou à empresa que o comportamento dos trabalhadores não tem suporte legal e que o processo foi arquivado, dando razão à Prosegur".
"Não temos dúvidas que aqueles 12 trabalhadores, apoiados pelo STAD, têm sido completamente inflexíveis, têm agido de má-fé e, com a sua atitude, estão a prejudicar profissional, pessoal e familiarmente os outros sete colegas, que a Prosegur terá também de despedir", acrescentou Luís Silva.
Este responsável realçou que "a delegação de Torres Novas não tem viabilidade sem a flexibilização de horários, que, de resto, foi aceite pelos trabalhadores das outras seis delegações da Prosegur".
O STAD pede na resolução ao primeiro-ministro que "mande intervir as entidades competentes - Secretaria de Estado do Trabalho e IDICT - no sentido de contrariarem a intenção ilegítima da administração da Prosegur de realizar o despedimento colectivo dos trabalhadores da Prosegur/Torres Novas".
Dois trabalhadores da Prosegur em Torres Novas já foram despedidos, segundo a estrutura sindical do sector.
O STAD acusa a Prosegur de "terrorismo social", mas Luís Silva contrapôs afirmando que a firma "garante 5.400 postos de trabalho, cerca de 95 por cento dos seus trabalhadores têm contrato permanente, está entre os dez maiores empregadores do país e é uma empresa séria e respeitadora da lei".
O dirigente do STAD Carlos Trindade, presente na concentração de hoje, disse à Agência Lusa que "a administração da Prosegur pode contar com a luta dos trabalhadores, os protestos vão continuar e haverá recursos para as instâncias judiciais contra as acções ilegais da empresa".
TQ.
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