Trabalho demais causa riscos para a saúde
As actividades profissionais com horários de trabalho superiores a oito horas por dia implicam um risco acrescido de 61 por cento em prejuízos para a saúde dos trabalhadores, revela um estudo realizado nos Estados Unidos.
Publicado na edição on-line da revista internacional Occupational and Environmental Medicine, o estudo foi realizado por quatro investigadores norte-americanos, da Escola Médica da Universidade de Massachusetts e do Instituto de Ciências da Saúde Ambiental.
O estudo analisou as respostas de 10.793 cidadãos norte- americanos sobre as suas condições de trabalho, entre 1987 e 2000, e concluiu que um horário de trabalho de pelo menos 12 horas por dia está associado a um aumento de 37 por cento no risco de acidentes no local de trabalho e de danos para a saúde do trabalhador.
Já um horário de trabalho superior a 60 horas semanais representa um risco acrescido de 23 por cento de virem a ocorrer acidentes laborais ou de ser prejudicada a saúde dos trabalhadores.
Durante os 13 anos que durou o estudo, foram registados 5.139 acidentes e episódios de doença relacionados com a actividade profissional.
Quanto aos danos para a saúde dos trabalhadores, a maioria dos problemas registados relacionam-se com desordens músculo-esqueléticas (34,7 por cento), seguindo-se os cortes e contusões (25 por cento).
Segundo os investigadores, os horários de trabalho alargados ou a realização frequente de horas extraordinárias não implicam um risco acrescido de acidentes ou de danos para a saúde dos trabalhadores apenas por estarem associados a actividades profissionais já de si sensíveis ou em indústrias consideradas perigosas.
Nem, frisam os investigadores, por os trabalhadores que passam mais tempo no seu local de trabalho estarem, por inerência, expostos a um período mais longo em que é susceptível a ocorrência de acidentes no local de trabalho.
Os investigadores destacam a crescente evidência científica sobre o facto de horários de trabalho muito longos afectarem de forma negativa a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
Estudos já efectuados revelaram uma associação entre a realização frequente de horas extraordinárias e um horário de trabalho superior a oito horas diárias a um aumento do risco de problemas de saúde como a hipertensão, doenças cardiovasculares, fadiga, stress, problemas músculo-esqueléticos e doenças crónicas.
Outras investigações, citadas pelo estudo, detectaram evidências de uma relação entre horários de trabalho prolongados e o aumento do risco de acidentes laborais em ocupações específicas, como trabalhadores da construção civil, enfermeiros e outros profissionais de saúde, bombeiros e motoristas de autocarros de passageiros e de camiões de mercadorias de longo curso.
O estudo agora publicado abrangeu um período de 13 anos e teve como hipótese de partida o facto de um horário de trabalho alargado, e a realização frequente de horas extra, aumentarem a possibilidade de ocorrerem acidentes laborais ou de prejuízo para a saúde dos trabalhadores, comparativamente a profissionais com horários de trabalho menos exigentes.
O método empregue pelos investigadores visou controlar a influência, nos resultados, de factores como a idade e o sexo do trabalhador, a região do país em que trabalha, o tipo de indústria em que exerce e as especificidades da sua ocupação.
Dos 10.793 elementos da amostra analisada, 52,2 por cento eram do sexo masculino, 13,2 por cento eram negros e 6,7 por cento hispânicos, e todos eles indicaram possuir apenas um emprego durante o período de tempo em análise.
Os investigadores salientam que os resultados do estudo são consistentes com a hipótese colocada à partida, mas ressalvam que não pode ser estabelecida uma relação causal directa entre os factores em análise com base apenas neste estudo.
HM.
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