Três mulheres que deram à luz 47 filhos aconselham a desligar a televisão mais cedo...
Isabel e Joaquina deram à luz, no total, 38 filhos, não tendo, por isso, qualquer "responsabilidade" na regressão demográfica de Paredes de Coura, um problema que a Câmara pretende contrariar através de incentivos à natalidade.
Outra das principais "contribuintes" para a taxa de natalidade no concelho chama-se Gracinda, uma mulher de cujo ventre saíram nove bebés, mas que foi também a parteira de muitas dezenas de mulheres, ajudando a "pôr no mundo" mais de cem crianças.
Actualmente com 77 anos, Isabel Lima, residente da freguesia de Bico, onde é carinhosamente tratada por "Belinha", teve 21 filhos, nove dos quais morreram ainda bebés, vítimas "da meningite, que atacava sem dó nem piedade".
"Tinha um filho por ano. O meu marido tinha alguns problemas de saúde, mas, para isso, nunca estava doente", recorda, com humor, Isabel.
Confessa que não entende a razão que leva os casais a terem, hoje, "tão poucos filhos" e, por isso, critica "os que assinaram aquela coisa" do aborto.
Hoje, adoentada e acamada, recorda com saudade os longos anos passados por detrás do balcão da sua mercearia, onde aproveitava os tempos mortos para "amanhar" umas quadras que, um dia, espera ver publicadas em livro.
Sempre com uma pitada de humor na ponta da língua, "Belinha" diz que "ainda está à espera" da resposta de Salazar a uma carta que lhe escreveu a pedir um indulto para o marido, que esteve preso durante dois anos por ter ajudado os outros a "irem a salto" para França.
Joaquina Carvalho, 74 anos, conhecida por D. Mia na freguesia de Paredes de Coura, onde reside, esteve grávida 19 vezes. Perdeu dois filhos no ventre e deu à luz 17, tendo dois deles morrido com pouco mais de um ano de idade. Os restantes 15 ainda hoje lhe chamam mãe.
Joaquina reconhece que "não foi bem por opção" que teve tantos filhos, mas mais por "alguma falta de esclarecimento", além de que o marido "não era adepto" de meios contraceptivos.
"Dizia ele que os filhos eram uma dádiva de Deus, e olhe, eles foram nascendo e hoje não estou nada arrependida do que fiz. Pelo contrário, eles são o meu maior orgulho", confessa, com simplicidade.
Ainda hoje Joaquina fica emocionada quando se lembra que não podia disponibilizar 200 escudos para "dar estudos" aos filhos mais velhos, porque a prioridade, nessa altura, era "sossegar os estômagos" de toda a prole.
Quem já vai nos 83 anos é Gracinda Cunha, moradora em Padornelo, onde todos a conhecem por "Gracinda do caseiras", que teve "apenas" nove filhos, porque a vida não estava para graças e o dinheiro não dava para mais".
Recebia-os a todos, sozinha, lavava-os, preparava-os e metia-os na cama, para os mostrar ao marido, no final do dia, quando ele chegasse do trabalho.
No entanto, o contributo de Gracinda para a taxa de natalidade no concelho e arredores foi incomensuravelmente superior, pois foi a parteira que, com mãos sábias e calejadas, ajudou a nascer mais de cem crianças.
"Aquilo não custava nada e nunca houve um parto que me corresse mal", recorda, garantindo que, ainda hoje, se visse uma grávida "apertadinha", não teria qualquer problema em ajudá-la a dar à luz.
Quanto ao cordão umbilical, as medidas da parteira Gracinda nunca falhavam: eram quatro dedos para os meninos e três para as raparigas.
Isabel, Joaquina e Gracinda, juntas, tiveram 47 filhos. Por isso, dificilmente entendem o que se passa com as mulheres de hoje.
E, com a ponta de humor que lhes conforta a vida, deixam um conselho aos casais: desliguem as televisões.