Tribunal condena ex-segurança a 12 anos de prisão

Tribunal condena ex-segurança a 12 anos de prisão

O segurança Hugo Rocha foi condenado a 12 anos e meio de prisão, após ter sido considerado culpado pelos disparos que levaram à morte um outro segurança, em Julho de 2007, na discoteca portuense "El Sonero". Os outros dois arguidos foram condenados a uma pena de prisão de quatro anos e meio, suspensa por igual período.

RTP / Adicionar como fonte informativa
O próximo julgamento a realizar será pelo crime de homicídio de um outro segurança, Ilídio Correia, junto à Alfândega do Porto RTP

O Tribunal de São João Novo deu como provado que Hugo Rocha disparou seis vezes, quando detectou que Nuno "Gaiato" tencionava fugir, e que os disparos foram a causa directa da morte do segurança, com lesões crânio-encefálicas.

Hugo Rocha foi condenado por um crime de homicídio, três de coacção agravada, detenção de arma sob efeito de estupefacientes, detenção ilegal de arma e detenção de arma em local proibido.

Os co-arguidos foram condenados por ofensa à integridade física, três crimes de coacção agravada e detenção ilegal de arma/munições. Os seguranças ficam impedidos de frequentar estabelecimentos nocturnos ou de exercer funções de segurança, durante quatro anos e meio. Serão integrados num plano de reinserção social.

José e Vasco terão ficado, segundo o colectivo, à porta da discoteca, para controlarem a movimentação mas não conseguiam prever que o ataque a "Gaiato" iria resultar na morte deste. Por isso, o colectivo não os condenou como co-autores do crime de homicídio, mas antes de ofensa à integridade física.

O Ministério Público atribuía a autoria do homicídio de Nuno "Gaiato" a quatro pessoas. Além de Hugo Rocha, José e Vasco, também Alberto Ferreira, conhecido nos meandros da noite como "Berto Maluco", morto por rajadas de metralhadora, em Dezembro de 2007, perto de casa, na freguesia de Santo Ovídio, em Vila Nova de Gaia.

Segundo o Ministério Público, "Berto Maluco" teria elaborado um plano para matar o colega de profissão.

Defesa "em princípio" vai recorrer

O advogado de defesa dos arguidos admite recorrer na parte respeitante a Hugo Rocha, condenado a uma pena de prisão de 12 anos e meio.

"Não se fez prova que fosse o Hugo a disparar", afirmou Luís Vaz Teixeira. Em relação aos 12 anos de prisão determinados pelo colectivo, esta "não é uma pena excessiva para homicídio mas, face ao dado como provado, é demasiado", acrescenta o advogado.

A defesa admitia recorrer após a sessão de leitura, embora a decisão dependa da análise do acórdão.

A acusação também faz depender um eventual recurso da análise
ao documento do colectivo.

Julgamentos "Noite Branca"

A morte de Nuno "Gaiato" em Julho de 2007 gerou uma onda de violência entre grupos de segurança, provocando a morte de mais três pessoas (nos meses de Agosto, Novembro e Dezembro), num caso que ficou conhecido como "Noite Branca".

Além de Nuno "Gaiato" e "Berto Maluco", foram mortos o segurança Ilídio Correia e o empresário Aurélio Palha.

A equipa de procuradores, constituída pela Procuradoria-Geral da República a 12 de Dezembro de 2007, sob liderança de Helena Fazenda, acusa um grupo de cinco seguranças pelo homicídio de Ilídio Correia, a 29 de Novembro. Mais seis pessoas, contra quem foram reunidas acusações de tráfico de droga, serão julgadas à parte.

O julgamento pelo crime de homicídio de Aurélio Palha, a 27 de Agosto, foi alvo de um outro inquérito separado, em virtude da necessidade de diligências complementares.

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