Tribunal de Grândola condena um dos quatro reclusos acusados de homicídio em Pinheiro da Cruz
Grândola, Setúbal, 29 Abr (Lusa) - O Tribunal de Grândola condenou hoje a 22 anos de prisão efectiva um dos quatro reclusos acusados do homicídio qualificado de um outro preso, no Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz, em 2005.
Na leitura do acórdão, que decorreu hoje de manhã, o juiz considerou provados os crimes de roubo qualificado e homicídio qualificado e ainda homicídio na forma tentada (relativo a outro caso) de que estava acusado o recluso João de Melo e Pinto, de 37 anos.
Quanto aos outros três reclusos que estiveram a ser julgados, com idades entre os 32 e os 39 anos, foram absolvidos porque o tribunal de Grândola não conseguiu provar os crimes de roubo qualificado e homicídio qualificado de que eram acusados.
O juiz que leu o acórdão explicou que, apesar de ter a "convicção íntima" de que, "pelo menos um deles", participou nos crimes, os factos constantes na acusação não ficaram provados.
Os quatro arguidos, ex-reclusos de Pinheiro da Cruz e entretanto transferidos para outras prisões, eram acusados de envolvimento na morte de Fabrice Guerreiro, de 30 anos, a 10 de Agosto de 2005, a quem roubaram também uma consola de jogos (playstation), no valor de 250 euros.
A vítima, de nacionalidade francesa, mas de origem portuguesa, estava detida há seis anos para cumprir uma pena de 20 anos e cinco meses por furto qualificado, roubo e detenção de arma proibida.
O recluso foi encontrado morto cerca das 13:45, hora de encerramento das celas após o almoço, tendo sido detectados "indícios de crime de homicídio", segundo dados divulgados na altura pela Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP).
O crime, segundo a acusação, foi cometido quando a vítima estava na sua cela, através do recurso a um cadeado preso a uma corrente metálica e sacos com pedras pontiagudas e irregulares.
O tribunal concluiu que João de Melo e Pinto, juntamente com outro recluso cuja identidade não foi apurada, "planearam a entrada" na cela de Fabrice Guerreiro para lhe roubar a consola de jogos, que seria depois vendida para comprar estupefacientes, tendo-o matado para que "não os denunciasse".
Durante o julgamento, todos os arguidos negaram o seu envolvimento na morte de Fabrice Guerreiro, incluindo João de Melo e Pinto que, contudo, "confessou parcialmente" o homicídio na forma tentada de um outro recluso, a 23 de Abril do mesmo ano, crime pelo que foi hoje também condenado.
O tribunal de Grândola condenou ainda este arguido a pagar à família de Fabrice Guerreiro uma indemnização de 50 mil euros pelo "desgosto" de terem perdido o familiar, pelas "dores" que este sofreu e pela sua morte.
João de Melo e Pinto, que já estava a cumprir pena por furtos, falsificações e burla, vai agora, com esta nova condenação, recolher ao Estabelecimento Prisional de Vale Judeus.
A advogada deste recluso adiantou à agência Lusa que pretende recorrer do acórdão por considerar "excessiva" a pena aplicada.
Já o advogado André Botelheiro, da família da vítima, explicou à Lusa que este era o "desfecho esperado", se bem que "fica um sentimento de justiça pela metade" devido à absolvição dos outros três reclusos.
A família de Fabrice Guerreiro, revelou o causídico, tenciona analisar uma eventual acção contra o Estado "por omissão dos deveres de segurança e guarda", devido a "falhas graves de segurança" no Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz.
"O pátio é calçada e existem pedras soltas. Já aconteceram, por mais de uma vez, situações destas", afirmou.
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