Tribunal do Porto julga quarta-feira caso de cobranças difíceis, homicídio, raptos e extorsão

Porto, 21 Out (Lusa) - O Tribunal de São João Novo, Porto, inicia quarta-feira o julgamento de 12 pessoas ligadas à cobranças coercivas de dívidas, que são acusadas de homicídio qualificado, raptos, extorsão, associação criminosa e posse de arma ilegal.

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Quatro dos arguidos aguardam julgamento em prisão preventiva.

Para esta primeira sessão estão convocados apenas os arguidos, devendo ser chamadas as primeiras 15 testemunhas na segunda audiência, aprazada para dia 29.

A acusação do processo sustenta que o grupo foi constituído essencialmente para concretizar cobranças difíceis, mediante uma comissão que oscilaria entre 10 e 20 por cento dos valores em causa.

Outro objectivo deste grupo, que actuou na Região Norte em 2006 e 2007, seria o furto de cheques.

De entre várias cobranças sobressai, na acusação, a que visou um empresário de Fafe.

De acordo com ao Ministério Público, o grupo chegou mesmo a raptar e sequestrar a sua mulher e filho, além de lhe reter um automóvel para garantir que as dívidas seriam pagas.

Em causa estavam 78 mil euros que aquele industrial devia a duas firmas de calçado e sucedâneos.

O grupo sequestrou a mulher e a criança, junto às instalações do Vitória de Guimarães, levando-os, amordaçados, para a casa de banho de uma oficina.

O próprio empresário, que acabou por pagar a dívida em prestações, chegou a ser agredido.

O homicídio constante do processo é o de Tiago Ferreira, suposto colaborador do grupo. O crime foi determinado, segundo a acusação, porque a vítima não depositou na data que lhe fora indicada, um cheque no valor de 3.168,61 euros, fazendo-o cinco dias depois.

Era preciso "apagar" o Tiago, determinou um dos membros do grupo durante um encontro num shopping da Trofa a missão acabou por ser cumprida numa zona serrana, em Campo, Valongo.

A 22 de Janeiro do ano passado, Tiago foi levado para Valongo com a argumento de que era preciso efectuar vigilância a um suposto devedor, acabando por ser agredido com uma pedra na cabeça, vários socos e pontapés.

Os agressores - que o MP diz serem cinco dos 12 arguidos - deixaram o jovem ainda com vida, mas voltaram ao local para "apagar o Tiago e fazer desaparecer o corpo".

Equacionaram baleá-lo na cabeça, mas tiveram receio de que o barulho do disparo alertasse alguém, pelo que optaram por o agredir com uma sachola e atirar o seu corpo para um poço, afirma a acusação.

O cadáver veio a ser encontrado nesse poço, a 13 de Março seguinte, já em adiantado estado de decomposição.

JGJ.


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