País
Trilhados caminhos quase desconhecidos no caso do bebé nascido com mãe em morte cerebral
Ana Campos foi a obstetra que acompanhou clinicamente o bebé que cresceu no corpo da mãe em morte cerebral. A diretora clínica adjunta da maternidade Alfredo da Costa revela em entrevista ao Telejornal os desafios médicos de um caso muito raro a nível mundial. Há apenas 30 casos de situações semelhantes que foram alvo de publicações científicas em todo o mundo.
Os médicos tiveram, assim, de criar normas de avaliação para acompanhar o caso ao longo das semanas.
A mãe esteve sempre com suporte de vida externo para o funcionamento dos órgãos vitais. Um dos aspetos essenciais neste caso foi, de acordo com a obstetra, o facto de ter sido "preciso fornecer do exterior todas as hormonas e toda a nutrição necessária para o desenvolvimento da placenta e do feto", apesar da morte cerebral da mãe.
Ana Campos destaca o papel da família num momento complicado. O momento mais difícil neste caso foi a decisão, a participação à família e sua aceitação do processo. A obstetra realça que a família teve "um comportamento exemplar" e participou das decisões ao longo do processo clínico.
O bebé vai-se manter nos cuidados intensivos do hospital por um período de tempo ainda indeterminado. Tempo em que os médicos vão manter vigilância máxima ao bebé, até para %u201Cavaliar se houve algum tipo de repercussão no seu desenvolvimento que até ao momento não se revela existir%u201D, realça Ana Campos.