Turismo de Lisboa quer calendário de intervenções como "compromisso político"

Lisboa, 28 Jul (Lusa) -- A Associação de Turismo de Lisboa (ATL) defendeu hoje que o plano da autarquia para a zona ribeirinha tenha um calendário que funcione como "compromisso político" e se articule com os dos restantes municípios do estuário do Tejo.

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"Fala-se num horizonte temporal de 20 a 25 anos, o que é muito e deve ser antecipado. O importante é que este plano tenha um calendário preciso de intervenções que seja um compromisso político e garanta a sua concretização", considerou Vítor Costa, presidente da ATL.

Em declarações à Lusa, o responsável sublinhou que só desta forma se consegue vincular as autoridades ao plano e garantir a sua concretização, "mesmo que no futuro haja mudanças a nível político".

Vítor Costa falava a propósito de um debate sobre o Plano Geral de Intervenções para a Zona Ribeirinha que a autarquia vai promover terça-feira no Welcome Center, no Terreiro do Paço.

O responsável da ATL chamou ainda a atenção para a necessidade de articular o plano da Câmara de Lisboa com os dos restantes municípios do estuário do Tejo.

"Não se pode pensar, por exemplo, no turismo náutico e contar só com Lisboa. Os municípios da margem sul e Oeiras têm uma palavra a dizer a este nível. Este plano deve ser articulado com o que já existe para que o estuário do Tejo seja um produto turístico uniforme", sublinhou.

Vítor Costa apontou ainda a não inclusão da zona da doca pesca como uma das preocupações de quem trabalha na área do turismo em Lisboa.

"Percebo que a câmara não pudesse decidir sozinha sobre um território que não é apenas seu, pertence também a Oeiras. Mas é preciso frisar que esta zona tem uma vocação forte para ser um pólo turístico importante".

O presidente da ATL afirmou que o plano da Câmara de Lisboa para a zona ribeirinha, "em termos gerais", vai ao encontro da estratégia que a associação defende para a área do turismo, com "microcentralidades turísticas" em zonas como Belém e o Parque das Nações, mas "interligando toda a frente ribeirinha".

"O debate de terça-feira será útil porque as pessoas do turismo podem dar o seu contributo específico e enriquecer o plano", concluiu.

Entre outros projectos, o plano global da autarquia para zona ribeirinha de Lisboa prevê uma nova praia, com ondas artificiais, na Doca do Poço do Bispo, que a câmara quer ver integrada no domínio público municipal.

O outro extremo dos 19 quilómetros de frente ribeirinha de Lisboa, em Algés, deverá igualmente ser reabilitado para a criação de uma praia, com piscina flutuante, e para isso a autarquia propõe o alargamento do areal existente.

O documento abrange uma série de intervenções que já estavam previstas em planos anteriormente apresentados, designadamente o do Governo para a zona de Alcântara, que inclui o enterramento da via férrea, e o da zona ribeirinha da Sociedade Frente Tejo, que contempla intervenções nas áreas de Belém/Ajuda e na frente da Baixa pombalina.

O plano global da Câmara de Lisboa contempla já a afectação das áreas sem utilização portuária que foram alvo de um protocolo entre a autarquia e o Governo para que passassem para a alçada do município, que lhe dará novos usos.

Com um horizonte temporal de 20/25 anos, o plano prevê igualmente reordenar a mobilidade e circulação automóvel na zona ribeirinha e ligar os dois extremos da cidade com percursos pedonais e para bicicletas e criar um sistema de transportes públicos em toda a frente ribeirinha, em eléctrico ou trolley.

A Câmara de Lisboa propõe igualmente que se estude a possibilidade de ligar Cascais a Lisboa via marítima ou Vila franca de Xira a Lisboa em percursos diários.

SO.


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