Último projecto de Daciano da Costa foi apresentado em 2004

Último projecto de Daciano da Costa foi apresentado em 2004

O arquitecto Daciano da Costa, que hoje morreu em Lisboa aos 75 anos, tinha apresentado em Dezembro passado uma projecto à Câmara de Lisboa de requalificação da Praça da Figueira, revestindo os edifícios com azulejos em azul e branco.

Agência LUSA / Adicionar como fonte informativa

Dos seus trabalhos destacam-se o projecto de interiores da Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa (1961) e a Biblioteca Nacional (1968), Teatro Villaret (1965) e o Casino Estoril (1967).

Outros trabalhos seus são os interiores do Hotel Alvor Praia (1968), do Casino Park-Hotel (1972-84), no Funchal, do Centro Cultural de Belém (1992), a renovação de interiores do Coliseu dos Recreios de Lisboa (1994) e dos Paços do Concelho de Lisboa (1998).

O arquitecto era sócio correspondente da Academia Nacional de Belas-Artes, fundador da Associação Portuguesa de Designers e professor catedrático convidado jubilado da Faculdade de Arquitectura.

Em 1992 iniciou e dirigiu a primeira Licenciatura em Arquitectura de Design, onde leccionou até se jubilar em 2003.

Em 2004 recebeu o título de Doutor Honoris Causa desta faculdade pela sua contribuição da sua obra para o desenvolvimento do Design em Portugal.

No ano anterior tinha recebido igual distinção pela Universidade de Aveiro.

Segundo o arquitecto Tiago Miranda, da Faculdade de Arquitectura, "foi uma verdadeira referência de toda uma geração de designers".

Daciano da Costa ingressou como docente do Departamento de Arquitectura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa em 1977 e nessa escola se manteve após a sua transformação em Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.

"Ao longo destes anos, Daciano da Costa foi passando o seu testemunho a sucessivas gerações de arquitectos, propondo-lhes o seu modo de entender o ambiente construído", disse o arquitecto João Paulo Martins.

Depois de frequentado a Escola de Belas Artes Daciano da Costa começou a sua carreira profissional no atelier de pintura e de arquitectura de Frederico George, desde 1947.

A sua colaboração mostrou-se "fundamental na formação da sua sensibilidade e da metodologia que viria adoptar na abordagem do processo de projecto", acrescentou à Lusa João Paulo Martins, que com ele conviveu.

Em 1959 abriu o seu próprio atelier onde desenvolveu actividades no domínio da arquitectura de interiores, design de exposições e industrial.

"Daciano da Costa foi um dos protagonistas do processo de definição da Arquitectura de Interiores como disciplina autónoma, estabelecida em relação estreita e orgânica com o projecto de Arquitectura e em substituição da designada Decoração", explicou João Paulo Martins.

Em 1961, iniciou uma colaboração com a Metalúrgica da Longra que havia de se prolongar por mais de trinta anos, sendo "uma das experiências mais profícuas de relação da indústria nacional com o design".

João Paulo Martins defendeu que "os móveis de trabalho projectados por Daciano da Costa e produzidos pela Longra tornaram-se clássicos do imaginário português contemporâneo".

No ano de 2001, recebeu da Sociedade Nacional de Belas-Artes a medalha destinada aos sócios com mais relevância na vida da instituição, a secção portuguesa da Associação Internacional dos Críticos de Arte conferiu-lhe o prémio anual para a área de Arquitectura.

A Ordem dos Arquitectos nomeou-o sócio honorário em 2002, no ano anterior o Presidente da República tinha-lhe imposto as insígnias de Comendador da Ordem do Infante D.Henrique, condecoração que juntou à de Grande Oficial da Ordem do Mérito, recebida em 1995.

Em 1994, Daciano da Costa publicou o livro "Croquis de Viagem", com uma selecção dos seus desenhos de leitura do ambiente, realizados ao longo de anos de viagens.

Em 1998, o Centro Português de Design editou "Design e Mal- Estar", onde foram reunidos muitos dos seus textos de intervenção crítica sobre Design e entrevistas publicadas na imprensa periódica desde 1970.

Em 2003, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais integrou uma parte substancial do arquivo de Daciano da Costa, constituído por esboços, desenhos técnicos e maquetas resultantes da sua actividade projectual até 1994.

Segundo adiantou à Lusa João Paulo Martins "este espólio, guardado no Forte de Sacavém, está a ser tratado, estudado e digitalizado para futura divulgação".


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