Um mês depois. Regiões assoladas por intempéries procuram a normalidade

Um mês depois. Regiões assoladas por intempéries procuram a normalidade

Um mês após o "comboio" de condições meteorológicas extremas que assolou Portugal continental, a normalidade começa a regressar às regiões mais afetadas pelo mau tempo. As obras na A1 estão concluídas e já há luz em quase todos os locais afetados pelas tempestades.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Pedro Nunes - Reuters

Esta sexta-feira marca um mês da passagem da depressão Kristin, a mais forte de uma série de intempéries que deixou um cenário de devastação em Portugal.

Centenas de pessoas ficaram feridas e desalojadas e foram registados cerca de 20 mortos.As regiões centro, Lisboa, Vale do Tejo e Alentejo foram as mais atingidas. Muitas populações ficaram isoladas, sem luz, água e telecomunicações.

Um mês depois, a normalidade começa a regressar. Já há luz em quase todos os locais afetados pelas tempestades, embora ainda há quem não tenha eletricidade ou telecomunicações na totalidade ou de forma estável.

A E-Redes admite no entanto que possa haver casos pontuais de falta de luz mas que vão ser resolvidos. A gestora da rede elétrica explica que agora é preciso passar das reparações provisórias para as definitivas.

Em Coimbra, a subida das águas do Mondego levou à rutura de um dique e à consequente derrocada de um troço da A1.

As obras na A1 em Coimbra estão concluídas mas a autoestrada ainda não reabriu. Por enquanto mantém-se a circulação na faixa que resistiu ao temporal. A Brisa aguarda autorização do Instituto da Mobilidade e Transportes para reabrir a A1 na zona de Coimbra.
Leiria e Coimbra reclamam falta de apoio
Leiria foi um dos distritos mais afetados pelas tempestades. Só a capital de distrito já contabilizou 792 milhões de euros em prejuízos, ainda sem fechar o balanço.

O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, não está satisfeito com a forma como o Governo está a gerir a reconstrução.

Segundo Gonçalo Lopes, a autarquia foi atirada para a linha da frente pelo Governo para dar ajuda à população, mas ainda não chegou qualquer auxílio financeiro por parte do Estado.
Ouvido pela agência Lusa, o autarca refere que os municípios ficaram encarregues das candidaturas para reconstruir as casas, mas o Governo não deu as condições necessárias para tal processo. Gonçalo Lopes refere que o que tem ajudado, até agora, é o montante de cinco milhões de euros que a Câmara recebeu da seguradora.

Também em Coimbra, a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, diz que o dinheiro do Governo ainda não chegou.
A câmara está a deslocar verbas do orçamento municipal para conseguir responder aos estragos provocados pelo mau tempo. Ana Abrunhosa explica que eram verbas para outros destinos mas são precisas agora, enquanto o dinheiro prometido pelo governo não aparece.

A presidente da Câmara diz que serão precisos anos para que Coimbra volte a 100 por cento depois da passagem da depressão Kristin.
Em declarações à Antena 1, Ana Abrunhosa observa que há estadas importantes que ainda estão cortadas e que o Mondego está sem as margens que tinha.

“É uma reconstrução que vai demorar”, avisa a autarca.

A presidente da Câmara de Coimbra lembra que a Agência Portuguesa do Ambiente não prestou a manutenção que deveria no dique do Mondego.

Na quinta-feira, já depois de ter anunciado um aumento dos apoios para 3,5 mil milhões de euros, o Governo aprovou um decreto-lei que estende a todo o território "o regime de apoios e medidas de simplificação" que vigoravam para 90 municípios, desde que seja comprovado que os danos se deveram às tempestades.

c/ agências
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