Uma centena de actores amadores encenam paixão de Cristo em P. da Barca

Quatro dezenas de actores amadores e 60 figurantes levam sábado à cena, no Centro de Exposição e Venda de Produtos Locais de Ponte da Barca, uma peça sobre a paixão de Cristo, representada em cinco palcos.

Agência LUSA /

Trata-se da recriação de "A Mui Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo", da autoria do escritor António Manuel Couto Viana, publicada no livro "Tesouros da Literatura Popular Portuguesa" que relata a paixão de Jesus Cristo, desde a acusação em julgamento até à morte e ressurreição.

A representação, que começa às 21:30 e demora cerca de duas horas, divide-se por cinco palcos, começando no chamado "Palco de Caifás", onde é feita a primeira acusação a Jesus Cristo.

A acção continua no "Palco do Jardim das Oliveiras", onde Judas entrega Cristo aos judeus e aos romanos, que o mandam a Pilatos, a Herodes e novamente a Pilatos, seguindo-se, após a condenação, uma espécie de via sacra, que termina com a crucificação no "Palco do Monte do Calvário".

O mais jovem "actor" desta peça tem 12 anos e os mais velhos cerca de 60, mas há pelo menos um figurante que já tem 74 anos, o que, segundo Jaime Ferreri, responsável pela encenação, "demonstra bem o envolvimento nesta iniciativa de praticamente toda a comunidade de Bravães", uma freguesia com cerca de 700 habitantes.

"Cristo" será personificado por um jovem enfermeiro, de 24 anos, que terá de carregar aos ombros a pesada cruz, onde no final será "pregado", naquele que se pretende seja o momento mais emotivo da representação.

Mas o momento mais "arriscado" ocorrerá quando as três cruzes - uma com Cristo e as outras com o bom e o mau ladrão - são levantadas, em simultâneo, num "número" que exige a colaboração de pelo menos 12 homens, de preferência com "algum arcaboiço físico".

O trajecto, desde a condenação ao Monte do Calvário, será acompanhado pelo Grupo Coral de Bravães, que recuperou um canto religioso tradicional com mais de 100 anos e que, de acordo com Jaime Ferreri, "é simplesmente arrepiante".

Todos os actores e figurantes estarão vestidos a rigor, com trajes usados na época dos acontecimentos, disponibilizados por uma casa de Viana do Castelo.

Antes da representação, será recuperada, num dos palcos, uma outra tradição, com cerca de 30 mulheres da freguesia a cantar uma novena de evocação às almas, como se fazia nas freguesias do Minho há 50 ou 60 anos, e que em Bravães se chama "aumentar às almas".

O curioso neste grupo de mulheres, sublinhou Jaime Ferreri, é que dele fazem parte de quatro gerações, desde a trisavó à neta.

Todo este trabalho é uma iniciativa da Associação Cultural e Desportiva "Os Canários", de Bravães, com a supervisão de Jaime Ferreri, professor de Matemática e Arte Dramática e também presidente da Assembleia-Geral da colectividade.

Quinta-feira, a representação volta a subir ao palco, mas então na Capela das Pereiras, em Ponte de Lima.

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