UMAR reduz equipas e recolhe fundos para conseguir manter projetos
A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) está a recolher fundos para conseguir manter os seus projetos e teve de reduzir o número de pessoas que neles trabalhavam devido a dificuldades financeiras, revelou a dirigente Maria Idalina Rodrigues, garantindo que as iniciativas continuam, embora "com dificuldade".
Em entrevista à Lusa a propósito dos 50 anos da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), Maria Idalina Rodrigues explicou que a organização iniciou uma recolha de fundos associada às comemorações do aniversário, que pretende prolongar até ao final do ano.
As dificuldades financeiras já tiveram consequências nas equipas responsáveis pelos projetos da associação e algumas pessoas foram dispensadas por não ser possível mantê-las.
"De facto tivemos de reduzir as pessoas que estavam a trabalhar nesses projetos devido a esse estrangulamento", afirmou a fundadora e membro da direção da UMAR.
Apesar das dificuldades, Maria Idalina Rodrigues esclareceu que, até ao momento, não foi necessário abandonar os projetos.
"Por enquanto, nós ainda estamos a mantê-los, com dificuldade, mas estamos a manter", afirmou.
Explicou que a continuidade do trabalho dependerá também das respostas a candidaturas apresentadas pela associação, que continuam pendentes.
Os projetos desenvolvidos pela UMAR são em áreas como a igualdade de género, o combate ao assédio sexual e o trabalho desenvolvido nas escolas.
A associação procura, por isso, participar em novos projetos que lhe permitam assegurar a continuidade da intervenção.
Maria Idalina Rodrigues evita, contudo, atribuir as atuais dificuldades de financiamento às políticas do Governo, precisamente porque a UMAR continua à espera de decisões sobre algumas das candidaturas apresentadas.
"Não quero estar a fazer uma análise que pode ser abusiva (...). A seu tempo, nós o diremos", acrescentou.
Maria Idalina Rodrigues salientou ainda que a UMAR conseguiu estabelecer "algumas pontes e alguma abertura" com responsáveis governamentais, razão pela qual rejeita, nesta fase, uma leitura exclusivamente política das dificuldades de financiamento.
A fundadora lembra também que os constrangimentos financeiros não são inéditos nos 50 anos da organização, cujo percurso diz não ter sido linear.
A década de 1980 foi igualmente um período de dificuldades e a associação atravessou outro momento particularmente complicado quando perdeu a sua sede num incêndio.
"Temos atravessado vários períodos de dificuldade", afirmou, considerando que o atual é "mais um deles".
Entre as áreas cuja continuidade preocupa a organização está precisamente a intervenção nas escolas, que Maria Idalina Rodrigues considera prioritária.
"Os jovens são o futuro", afirmou, classificando o trabalho realizado pela UMAR nesta área como "muito positivo" e admitindo que seria motivo de "muita mágoa" se a associação deixasse de ter condições para o prosseguir.