Único centro de actividades do Norte para doentes de alzheimer lança apoio domiciliário

A directora do único centro de actividades para doentes de Alzheimer da região Norte, sedeado em Pedrouços, Maia, anunciou hoje um novo serviço de apoio domiciliário a idosos.

Agência LUSA /

"No apoio domiciliário estamos a praticar preços idênticos aos dos centros sociais", garantiu em declarações à Lusa a enfermeira Maria do Céu Martins, directora do Centro de Actividades para Doentes de Alzheimer (CADA).

As consultas domiciliárias de "higiene e conforto" custam seis euros e incluem, além dos cuidados de enfermagem e higiene, alimentação, massagem, estimulação cognitiva e acompanhamento familiar, especificou a responsável, que com esta medida pretende divulgar a existência deste centro de dia, cuja área de actuação abrange a zona do Grande Porto.

"Esta é uma valência com enorme procura e com longas listas de espera", sublinhou a responsável.

Criado há cerca de quatro meses "sem qualquer apoio financeiro" das instituições locais e regionais, o centro (uma instituição privada com fins lucrativos) tem como objectivo desenvolver tratamentos que retardem o efeito degenerativo das doenças de Alzheimer e Parkinson.

Para isso, conta com uma equipa multidisciplinar que trabalha em regime de voluntariado, com excepção de "dois profissionais", uma animadora e uma auxiliar.

"Sem apoio e com dificuldades financeiras", a responsável do centro apela à Segurança Social, autarquias e Santa Casa da Misericórdia para que adiram ao projecto e o apoiem financeiramente.

Segundo Maria do Céu Martins, foi também solicitado um encontro com a direcção da Associação Portuguesa dos Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer (Apfada), para dar a conhecer o centro e, eventualmente, estabelecer um protocolo de colaboração.

"É que, frisou, somos a única instituição no Grande Porto a prestar atendimento especializado a doentes de Alzheimer e Parkinson".

Contactada pela Agência Lusa, fonte da Apfada confirmou ter sido contactada, no início de Janeiro, pela responsável do CADA, desconhecendo se foi analisada a possibilidade de assinatura de um protocolo de colaboração.

Patrícia Paquete, terapeuta ocupacional e directora técnica do Centro de Dia e Apoio Domiciliário de Lisboa, da Apfada, sublinhou a importância de instituições como o CADA, não só para os utentes, como também para os seus familiares.

Para Patrícia Paquete, o ideal era que existissem mais instituições sociais de apoio a estes doentes, porque nem todos dispõem de condições financeiras para pagar uma instituição privada.

"A questão financeira é fundamental, até porque os medicamentos ainda não são comparticipados a 100 por cento", o que, segundo esta terapeuta ocupacional, representa uma despesa mensal de cerca 150 euros.

O CADA tem como finalidade melhorar a performance cognitiva, mas também o comportamento e a qualidade de vida dos utentes. Tem uma equipa técnica constituída por uma enfermeira especialista, uma neuropsicóloga, uma psicopedagoga, uma estagiária de Psicologia da Saúde, uma educadora social e uma animadora social.

"São utilizadas técnicas e estratégias de intervenção com o objectivo de retardar o efeito degenerativo da doença neurológica e facilitar a autonomia", disse Maria do Céu Martins, que realçou o facto do centro dispor de transporte para a deslocação dos utentes.

Maria do Céu Martins acrescentou que mensalidade para os utentes deste centro, localizado em Pedrouços, na Maia, ronda os 400 euros.

Segundo a responsável do CADA, existem no Norte cerca de 20 mil doentes de Alzheimer.

Quase cem anos após a sua primeira descrição em 1906, feita pelo médico alemão Alois Alzheimer, esta doença afecta quase dois por cento da população dos países desenvolvidos.

Em Portugal, os dados disponíveis indicam que a doença de Alzheimer afecta cerca de 56 mil pessoas, representando quase 60 por cento da totalidade das demências.

PUB