Único médico da ilha mais remota do mundo vai consultar especialistas dos EUA remotamente e em tempo real

O único médico da ilha Tristão da Cunha, a mais remota do mundo, situada a 2.680 quilómetros da África do Sul, vai poder consultar, em tempo real, médicos nos Estados Unidos, através de uma nova tecnologia instalada na ilha.

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A IBM, um fundo de investimentos, uma empresa de tecnologia médica e o Centro Médico da Universidade de Pittsburgh (UPMC) associaram-se às autoridades de Tristão da Cunha para criar um sistema que permite as consultas à distância.

A ilha, com 274 pessoas localizada a cerca de 2.680 quilómetros a este da Cidade do Cabo, África do Sul, é apenas acessível por barco.

No passado, o médico Carel Van der Merwe tinha de tirar fotos digitais de raios-x e enviá-los por fax ou e-mail para especialistas em outras partes do mundo para o ajudar nos diagnósticos.

Agora, o solitário médico pode gravar electronicamente os dados (raios-x, electrocardiogramas e até exames) e partilhá-los com especialistas da cidade norte-americana de Pittsburgh para obter sugestões de tratamentos.

Van der Merwe já trabalhou noutros locais remotos, mas sempre teve a possibilidade de evacuação de um paciente em caso de necessitar tratamento especializado.

Tal é impossível em Tristão da Cunha, onde não há ligações aéreas e chegar ao continente demora sete dias de barco.

O médico Scott Harrington, director do centro de comunicação da UPMC, disse que o sistema do hospital pode aceder a vastos recursos para providenciar especialistas que conferenciem virtualmente com Van der Merwe sobre qualquer assunto.

A universidade norte-americana já tinha acordos de assistência médica remota com várias linhas aéreas comerciais e outros clientes, mas esta é a primeira vez que dedicaram uma ligação a uma comunidade remota.

A ideia surgiu no ano passado, quando o Paul Grundy, da IBM, e Edward Mullen, presidente da Beacon Equity Partners, falaram no funeral de um amigo comum, que residia na ilha onde morreu cancro.

Grundy divulgou a sua ideia num blog, um médico da Universidade de Pittsburgh contactou-o e duas empresas - Medweb e SAOPware - forneceram o know-how técnico.

Grundy salientou ainda que este tipo de tecnologia já é usado há anos pelos militares, mas a aplicação em Tristão da Cunha é única.

A Ilha de Tristão da Cunha, território britânico, foi descoberta pelo navegador português, e baptizada com o seu nome, em 1506.

Actualmente, os seus residentes são sobretudo agricultores e pescadores.

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