Universidade Coimbra cria curso de Estudos Portugueses e Lusófonos
A Universidade de Coimbra vai substituir a licenciatura de Estudos Portugueses por um curso mais aberto à lusofonia, que integrará disciplinas como as de culturas brasileira e africanas, disse à Lusa a coordenadora do curso.
Helena Santana explicou que a nova licenciatura de Estudos Portugueses e Lusófonos, que começa já no próximo ano lectivo, faz desaparecer uma das mais tradicionais, ministradas há décadas na Faculdade de Letras, a de Estudos Portugueses.
"É preciso abrir outras perspectivas, e abrir o curso a outros candidatos", explicou a coordenadora da licenciatura, frisando que a vertente da lusofonia, embora presente no plano de cursos, "era uma parte marginal".
Para os promotores, trata-se de "criar oportunidades de formação para todos os que, dentro de Portugal, queiram aprofundar o conhecimento dessa mesma realidade linguística, multiliterária e multicultural".
É também criada a pensar naqueles que, "vindos de fora do espaço político português, pretendam conhecer a realidade da lusofonia por motivos de pura curiosidade intelectual ou tendo em vista diversos interesses académicos ou profissionais".
Embora assuma como principal saída profissional o ensino da língua e literatura portuguesas nos ensinos básico e secundário, apresenta a inovação de oferecer ainda aos alunos, a partir do quarto ano, as vias de especialização em Ensino do Português para Estrangeiros e de Estudos Lusófonos.
Os promotores do curso partem da expectativa de que surgirão oportunidades de trabalho fora de Portugal, com a intensificação das políticas de ensino entre o Estado Português e os Estados de língua oficial portuguesa, e com a crescente procura de aprendizagem da língua por estrangeiros, quer em universidades e entidades nacionais, quer no estrangeiro, em leitorados de português.
Neste curso, segundo Helena Santana, procura-se proporcionar aos alunos uma perspectiva inter-cultural do português, como língua de cultura de vários países.
A par do estudo da língua e literatura portuguesas, ao longo do curso serão ministradas três disciplinas de Literaturas Africanas e outras tantas de Literatura Brasileira, com a possibilidade de os interessados poderem ainda aprofundar essas mesmas áreas a partir do catálogo de opções que lhes é oferecido.
Ao longo dos oito semestres de duração do curso, haverá lugar para disciplinas que não figuravam na anterior licenciatura, como "Arte e Cultura de Massas", "Estudos Interartes", "Cultura Brasileira", "Culturas Africanas" "História do Brasil", "História dos Países Africanos de Língua Portuguesa", "Teoria Pós Colonial" e "Introdução à Crioulística".
Nas disciplinas de opção são oferecidas aos alunos mais possibilidades de reforçar a vertente lusófona da licenciatura, nomeadamente com "Cultura Brasileira II", "Culturas Africanas II", "Literatura Brasileira IV", "Literaturas Africanas IV", "Estudos Timorenses" e "Português do Brasil".
Cobrem-se assim as realidades literárias de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Em relação da Timor-Leste, segundo a coordenadora do curso, a oferta de disciplinas de opção poderá vir a ser reforçada nos próximos anos.
O novo curso, de Estudos Portugueses e Lusófonos", começará a ser leccionado no próximo ano lectivo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e terá entre 25 e 30 vagas, revelou Helena Santana à agência Lusa.