Universidade Sénior para todas as idades
Bragança tem desde há quatro meses uma Univer sidade Sénior, que se transformou num espaço de convivência entre diferentes ger ações, contrariando a ideia de que apenas os mais velhos frequentam estes estabe lecimentos de ensino.
"Também tinha a ideia de que a Universidade Sénior era para gente com m ais idade", admitiu à Lusa Margarida Carlão, que afinal se tornou num exemplo de que este espaço não é apenas para "quem já não tem nada para fazer na vida".
Esta educadora de infância, de 42 anos, encontrou na Universidade Sénio r de Bragança a possibilidade de aprender inglês e garante que este novo espaço "é uma oportunidade para qualquer cidadão que queira aprender".
Entre os 104 inscritos, há alunos dos 35 aos 74 anos, e a adesão foi um a "surpresa" para Clementina Pires, a responsável pela Universidade Sénior de Br agança, um projecto do Rotary Clube de Bragança.
Segundo disse à Lusa, na abertura do ano lectivo, em meados de Janeiro, tinham apenas nove inscrições e um mês e meio o número subiu para 104.
Não foi a procura de um grau académico para um emprego, que fez António Martins, engenheiro técnico agrário, "regressar" à universidade, como faz quest ão de dizer à Lusa.
Reformado dos serviços florestais, decidiu, aos 63 anos, aprender inglê s e informática, duas áreas em que sempre sentiu necessidade de ter mais conheci mentos e que agora tem oportunidade de aprofundar.
Já Laura Vicente está a pensar comprar o seu primeiro computador aos 74 anos, depois de ter dado os primeiros passos na informática e na Internet.
Quer acompanhar os filhos e os netos, porque "todos sabem um bocadinho" e ela "nunca calhou a prender".
Vê também na Internet uma forma de poder estar sempre em contacto com e les, mesmo que distantes.
Esta farmacêutica aposentada frequenta as aulas também para "ocupar o t empo e pelo convívio".
"Estamos bem uns com outros, fazemos mais amigos, tudo isso tem signifi cado", disse.
A Universidade Sénior de Bragança proporciona ainda formação em outras áreas temáticas como a literatura portuguesa, saúde e qualidade de vida, dança, teatro, noções de direito e fiscalidade, num total de doze items.
Este espaço não tem como finalidade atribuir graus académicos, mas prop orcionar o convívio e valorização pessoal aos seus frequentadores, segundo a res ponsável pelo projecto.
A propina é de 25 euros por semestre com direito a inscrição em duas ár eas temáticas e a oferta de música para todos.
Quem não tiver dinheiro não ficará excluído, garantiu a coordenadora Cl ementina Pires, que conta com o apoio da Câmara de Bragança e da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico, que disponibiliza professores e apoio na área da informática.
Todos os professores dão aulas nesta universidade em regime de voluntar iado, como a responsável pelo inglês, Josefina Carneiro, que é professora efecti va em Alfândega da Fé, a várias dezenas de quilómetros, mas fez questão de aderi r ao projecto.
Nunca tinha dado aulas a "pessoas mais velhas" e considera a "experiênc ia gratificante".
"É importante nós podermos ajudar, até porque nos ajudamos a nós também . De alguma forma enriquecemo-nos também, ao conhecer outras pessoas, outras viv ências", disse.