País
Tempos de espera elevados. Urgências de Lisboa continuam sob forte pressão
Os doentes classificados como urgentes enfrentaram esta manhã tempos de espera muito superiores ao recomendado. No Amadora-Sintra, a espera chegou a ultrapassar as 11 horas. A ministra da Saúde já admitiu que a pressão sobre as urgências de Lisboa deverá manter-se nas próximas semanas.
Os tempos de espera nas urgências continuam a revelar uma forte pressão sobre os hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo.
Durante a manhã desta quarta-feira, os tempos foram reduzindo gradualmente, mas no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, Amadora-Sintra, a média de tempo de atendimento para os doentes classificados como urgentes chegou a ser de 11 horas. Mas, o tempo foi reduzido e ao final da manhã era já sete.
Numa consulta aos dados disponíveis no portal do Ministério da Saúde a situação repete-se noutras unidades de saúde da região de Lisboa.
No Hospital Garcia de Orta, em Almada, a média de espera para os doentes urgentes ultrapassava as seis horas, enquanto no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o tempo médio de espera era superior às cinco horas.
No Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, um doente urgente tinha de esperar quatro horas e 50 minutos para ser observado.
Neste hospital, há a considerar um outro dado relevante. Para os casos considerados não urgentes, classificados com pulseira verde, o tempo médio de espera ultrapassa as 19 horas.
Mais calma parece estar a situação nas urgências do Hospital de Santarém. Durante a manhã, a média de espera era de pouco mais de uma hora.
Se subirmos a norte, o cenário já é diferente. No Porto, por exemplo, os tempos médios de espera para doentes urgentes era de uma hora, no Hospital de São João e no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, não chegava a uma hora.
Rumo ao sul, no Algarve, o tempo médio que um doente urgente tem de esperar no Hospital de Portimão ultrapassa as duas horas, já o de Faro é pouco mais de 50 minutos.
Ministra admite novas semanas de pressão
Perante os tempos elevados registados na região, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, reconheceu esta terça-feira que as próximas semanas "vão ser de grande pressão em Lisboa e Vale do Tejo", apontando particularmente para o Amadora-Sintra.
Perante os tempos elevados registados na região, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, reconheceu esta terça-feira que as próximas semanas "vão ser de grande pressão em Lisboa e Vale do Tejo", apontando particularmente para o Amadora-Sintra.
Ana Paula Martins explicou que a região enfrenta uma "pressão assistencial enorme", associada, entre outros fatores, à existência de mais de 240 mil pessoas sem médico de família nos concelhos abrangidos
Em declarações feitas em Porto de Mós, distrito de Leiria, onde esteve na inauguração dos trabalhos de remodelação do centro de saúde local, a ministra reconheceu ainda a falta de recursos humanos na Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra, nomeadamente médicos e enfermeiros
Ana Paula Martina afirmou que as alterações ocorridas nas equipas contribuíram para criar instabilidade no serviço de urgência.
A ministra reconheceu ainda que o Amadora-Sintra é a "urgência mais sobrecarregada do país”" e garantiu que o Governo está a procurar reforçar as equipas.
Os tempos registados esta quarta-feira ficam muito acima dos valores definidos pelo sistema de triagem.
Os casos muito urgentes, com a pulseira laranja, deveriam ser observados nos dez minutos seguintes à triagem.
Para os urgentes, com a pulseira amarela, o tempo recomendado é de até uma hora. Nos casos pouco urgentes, identificados com pulseira verde, o limite recomendado é de 120 minutos.
Amadora-Sintra no centro da pressão
A situação que acontece no Amadora-Sintra não é um episódio isolado. Nas últimas semanas, o hospital voltou a registar alguns dos tempos de espera mais elevados do país.
A 22 de agosto, os doentes urgentes chegaram a aguardar 12 horas e 33 minutos pela primeira observação, com 68 pessoas em espera. No início desse mês, a média chegou às 18 horas, como divulgou a RTP na altura.
A pressão sobre esta unidade já tinha sido identificada em diferentes momentos. Em dezembro do ano passado, a Direção Executiva do SNS chegou a classificar as urgências do Amadora-Sintra como "o principal problema" do Serviço Nacional de Saúde. Nessa altura, os tempos de espera para doentes urgentes chegaram a ultrapassar as 14 horas.