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Uso de helicóptero vale averiguação à chefia do INEM

Uso de helicóptero vale averiguação à chefia do INEM

O Instituto Nacional de Emergência Médica acionou um helicóptero com vista a transferir uma doente com contraindicações para esse tipo de transporte. E terá sido o presidente do INEM a solicitá-lo, apresentando-se como “médico assistente, amigo da família”. A IGAS já abriu um processo de averiguações.

Sandra Salvado, RTP /
Foto: Antena 1

O caso agora divulgado junta-se a outros que envolvem o presidente do INEM, Paulo Campos. O episódio, revelado na última noite pela SIC e repercutido esta sexta-feira nas páginas do Jornal de Notícias, ocorreu a 25 de janeiro.

“Paulo Campos, presidente do INEM, foi ao Hospital de Cascais visitar uma doente internada dois dias antes no Serviço de Urgência. Juntamente com a família, de quem é amigo, terá decidido transferi-la para o Hospital de Abrantes”, refere o diário.

Ao online da RTP, o Ministério da Saúde confirmou que a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) já abriu um processo de averiguações à intervenção do presidente do INEM. “Face às conclusões serão tiradas as devidas consequências”, disse o gabinete de imprensa do Ministério da Saúde.Ministério vai avaliar "rapidamente"
Entretanto, em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, disse que é necessário, "o mais rapidamente possível", chegar a uma conclusão sobre o que aconteceu, tendo pedido rapidez à IGAS.
"A notícia fala de uma eventual má prática médica e eventual mau uso dos sistemas de socorro e é isso que tenho de averiguar. Depois da avaliação técnica tirarei as conclusões políticas necessárias", afirmou Leal da Costa.O Ministério da Saúde pediu rapidez na averiguação do caso em que terá havido uma eventual intervenção do presidente do INEM no transporte de uma doente de helicóptero do hospital de Cascais para o de Abrantes.

Questionado sobre se Paulo Campos tem condições para se manter no cargo, o secretário de Estado diz que o presidente do INEM é que tem de se pronunciar.
O Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência (STAE) já tinha apresentado queixa ao IGAS sobre o facto de ter sido alegadamente desviada uma ambulância que transportava uma doente grave para que a mulher do presidente do INEM pudesse entrar a horas no Hospital de Gaia.
Também ouvido pelo online da RTP, Pedro Moreira, do STAE, afirmou ser “mais uma situação do tipo de liderança e do uso dos meios do INEM que devem ser destinados em prol do cidadão em igualdade de circunstâncias e que reportam aquilo que está a acontecer dentro do Instituto”.
Ministério não pode ser "conivente"
“Já há muitos meses que reportámos ao secretário de Estado da Saúde aquilo que se está a passar no INEM, mas até à data, infelizmente, nada fez. Até foi exigido o pedido de demissão do senhor presidente do INEM”, enfatizou Pedro Moreira.

O sindicalista espera que o secretário de Estado da Saúde demita o presidente do INEM. “Não pode ser conivente com este tipo de atitudes. O aenhor secretário de Estado a defender esta imagem para o Instituto está a encostar-se e a defender que isto pode acontecer e que pode continuar”.
Entretanto, o presidente do Conselho de Administração do Hospital de Cascais assegurou ao mesmo jornal que “a equipa médica do Hospital de Cascais não contactou o INEM nem solicitou qualquer transporte”.

A mesma unidade de saúde salienta ainda que “a transferência foi realizada a pedido da família/médico assistente”.

O JN avança ainda que o INEM esclareceu, por escrito, que Paulo Campos autorizou o CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) a ativar o transporte, “mas escusou-se a revelar quem pediu o héli”.
Contraindicação absoluta
De acordo com o Manual de Transporte do Doente Crítico e a Circular Normativa do Serviço de Helicópteros de Emergência Médica do INEM, citada pelo Jornal de Notícias, “é uma contraindicação absoluta” transportar em helicóptero um doente terminal.

A doente em causa tinha, entre outras patologias, cancro do pulmão no estado mais avançado e estava a fazer quimioterapia paliativa, acabando por morrer poucos dias depois no Hospital de Abrantes.

O presidente do INEM, em resposta ao JN, refere que não sabia tratar-se de uma doente em estado terminal, mas sim de “uma doente crítica, sem prognóstico definido” e sem vaga na Unidade de Cuidados Intensivos de Cascais.
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