País
Uso do carro aumenta, mas preço dos combustíveis também impulsiona transportes públicos
Apesar do crescimento na utilização do carro, também tem havido mais procura em vários modos de transporte, assinalam os Transportes Metropolitanos de Lisboa e do Porto. O aumento de passageiros nos autocarros tem justificado uma subida da oferta.
Com os combustíveis em preços máximos históricos, a administradora-executiva da TML – Transportes Metropolitanos de Lisboa, Diana Carneiro Dias, defende que isso incentivou procura na Carris Metropolitana. “Temos atingido diariamente recordes de passageiros transportados e é reflexo do aumento dos combustíveis”, considera.
A responsável desta entidade que gere a marca de autocarros da Área Metropolitana de Lisboa acredita que ainda há margem de crescimento nesta altura de regresso às aulas, mas aponta que poderá ser necessária mais oferta.
“Estamos a tentar complementar com o aumento da oferta, o que já não é fácil”, aponta Diana Carneiro Dias em declarações à RTP Antena 1, pois “já temos períodos curtos entre um autocarro e outro” e considera que acontece o mesmo na Fertagus, transportadora responsável pelas viagens de comboios entre Lisboa e Setúbal e que sofre problemas de sobrelotação. Aliás, a TML diz que a margem sul do rio Tejo “é a área mais crítica” e garante que nesta área a oferta já subiu.
Já na região do Porto, é apontada uma subida generalizada de passageiros nos transportes públicos. “Existiu um aumento significativo do uso a partir de março, com uma maior incidência no Metro do Porto, mas os modos rodoviários e a CP também sofreram incrementos consideráveis de março até agora, que se têm mantido exatamente com o mesmo nível de aumento comparado com o ano passado”, afirma Nuno Neves de Sousa, presidente da TMP - Transportes Metropolitanos do Porto.
Esta entidade é responsável pelos autocarros da Unir, da Área Metropolitana do Porto, marca que teve também um aumento da oferta, assinala a TMP.
Dados apontam para aumento de circulação em estradas
Com o Governo debaixo de críticas por não procurar um alívio maior no preço do gasóleo e da gasolina, a ministra do Ambiente e da Energia defendeu que não são atribuídos apoios generalizados à população para não aumentar o consumo dos combustíveis fósseis.
Na semana passada, em entrevista ao Política com Assinatura da RTP Antena 1, Maria da Graça Carvalho afirmou que, mesmo com o aumento dos preços, “o consumo aumentou em Portugal". Segundo a governante, os dados do consumo de combustíveis de julho deste ano comparado com o mesmo mês do ano passado mostram que "andámos mais de carro". Já na última segunda-feira, acrescentou que o consumo de gasóleo, gasolina e ‘jet fuel’, comparado com os meses homólogos do ano passado, tem subido entre 4 a 6%, embora em agosto tenha existido uma quebra, apontou também a ministra.
“Alguns outros estudos mostram que, em agosto e no princípio de setembro, terá havido uma ligeira diminuição", assinalou Maria da Graça Carvalho.
À margem de um evento da Bolt em Lisboa, questionada sobre se estes dados não são contraditórios com o anunciado aumento do uso dos transportes públicos, a administradoraexecutiva da TML defende que "é possível” ter dois crescimentos ao mesmo tempo.
“A população aumenta, o carro particular também está a aumentar”, salienta. Sobre o que pode ser feito para dar fluidez aos autocarros, a TML volta a defender mais corredores BUS, responsabilidade que é das autarquias. “Há cidades mais pequenas em que é quase impossível haver uma via dedicada”, mas “não é só dentro da autarquia que pretendemos”, dando o exemplo da A5. No entanto, diz que a proposta ainda está a ser pensada com a Câmara Municipal de Cascais e a Brisa.
Assinalam-se várias subidas no tráfego médio diário mensal em autoestradas e concessões reportadas no Relatório de Tráfego na Rede Nacional de Autoestradas do 2º semestre de 2026, entre abril e junho, constatou a RTP Antena 1.
Região do Porto terá portal com horários e transportes em tempo real
No último dia da Semana Europeia da Mobilidade, que coincide com o Dia Europeu sem Carros, a Bolt organizou um dia de debates, em Lisboa, para falar sobre mobilidade. Num dos painéis, dedicado à mobilidade integrada e o papel de cidades e regiões, o presidente da TMP defendeu a importância de ter o transporte público mais acessível ao nível do digital.
Questionado à margem do evento sobre o que está a ser feito para melhorar o website da Unir, que continua com horários disponíveis apenas em formato PDF, sem ser de fácil consulta, Nuno Neves de Sousa lembra várias mudanças até março do próximo ano.
“Os portais de mobilidade da Área Metropolitana do Porto estarão finalizados no primeiro trimestre de 2027”, assegurou em declarações à RTP Antena 1, com toda a informação “seja do tempo real, seja de informações ao público, para que o público esteja informado e consiga planear a sua viagem no transporte público.”
Bolt defende “super app” para bilhética de transportes
Durante o painel da manhã que reuniu representantes da TMP, da TML e da Bolt, foi abordada uma ideia defendida pela operadora TVDE (Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos de Disponibilização Eletrónica) que organizou este evento: integrar bilhética de transportes públicos numa única aplicação.
“Mais do que só uma ideia, é uma ideia com pernas para andar”, afirma Mário Morais, diretorgeral da Bolt Portugal, à RTP Antena 1, mas reconhece que “tecnologicamente vai demorar algum tempo a todos estarmos no mesmo passo” porque há “processos complexos de integração”. No painel, o presidente da TMP simpatizou com a ideia.
Sobre as recentes alterações introduzidas à lei TVDE, Mário de Morais faz o reparo que ainda falta a regulamentação. “O balanço é maioritariamente positivo”, sublinha, até porque “estamos à espera dos próximos passos porque há regulação que tem de ser escrita para a entrada dos táxis”.