Uso racional da água debatido em jornadas de `Arquitectura Sustentável`
Porto, 19 Fev (Lusa) - A "Conservação e o Uso Racional da Água" é o tema do primeiro dia das Jornadas Quercus de Arquitectura Sustentável, que a associação ambiental inicia sábado, no Porto, procurando alertar para uma "arquitectura mais verde".
Através destas Jornadas, a Quercus pretende "fomentar a divulgação e a discussão sobre a construção sustentável, desde os conceitos fundamentais às novas tecnologias e soluções construtivas, aplicação de materiais bem como análise de casos de referência", disse à agência Lusa a responsável pela organização das jornadas, Adriana Floret.
As jornadas vão decorrer no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, e estarão divididas em quatro painéis: Conservação e Uso Racional da Água, sábado, Materiais e Tecnologias Inovadoras para a Construção Sustentável, dia 29 de Março, Sistemas de Avaliação e Certificação da Sustentabilidade de Edificações, a 19 de Abril, e Cidades Sustentáveis, dia 24 de Maio.
Tendo sempre em conta o contexto climático em que o projecto se insere, a arquitectura sustentável promove as condições de conforto daqueles que a habitam e visa uma redução do consumo energético.
Para Nadir Bonaccorso, arquitecto que vai estar presente para apresentar alguns casos práticos no primeiro dia das jornadas, esta arquitectura "não é um `bicho` diferente, consistindo sobretudo na introdução de novas preocupações e novas técnicas que tenham em vista a sustentabilidade".
Recorrendo aos elementos naturais - sol, vento e chuva - criam-se edifícios mais saudáveis, com custos de manutenção mais reduzidos.
"Através do método do solar passivo, que consiste no aproveitamento da energia do sol para iluminação e criação de conforto térmico, reduzem-se os custos de aquecimento e electricidade", explicou o arquitecto.
No caso das chuvas, "a água também pode ser armazenada em depósitos criados no próprio edifício, sendo depois reutilizada em sistemas sanitários ou para rega", referiu.
Enquadrada pelas características territoriais e climáticas de que cada espaço dispõe, esta arquitectura não pode ser importada
O "conceito de sustentabilidade também passa pelos materiais usados, recorrendo sobretudo a materiais locais, em princípio mais baratos", referiu o arquitecto, explicando "que esta solução pode não ser mais barata, mas acaba por compensar ao diminuir os custos de manutenção".
Para Nadir Bonaccorso, a relutância em adoptar este tipo de arquitectura "prende-se sobretudo com um desconhecimento quer por parte de quem constrói em Portugal, sobretudo engenheiros, que têm uma informação diferente e nem sempre actualizada, quer dos próprios clientes".
O Centro de Controlo Operacional da Brisa, em Carcavelos, ou a sede nacional da Quercus, ainda em construção são dois dos exemplos desta tipologia "verde", que promove a autonomia energética e a preservação ambiental.
MZM
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