Utentes da Cerci de Santiago do Cacém fazam cartões de Natal
Centenas cartões de Boas Festas trocados nesta quadra natalícia foram feitos manualmente na Centro de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas (CERCI) de Santiago do Cacém, numa actividade que ocupou os utentes da instituição durante várias semanas.
Renas, Pais Natal, pinheiros e estrelas coloridas foram os motivos que mais atraíram os 45 utentes do Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) da Cercisiago para enfeitar os postais, um dos produtos de Natal mais requisitados este ano à instituição.
Entre as entidades que encomendaram os postais feitos pelos utentes da Cerci, a 50 cêntimos a unidade, contam-se as juntas de freguesia de Sines, Porto Covo e Santo André.
"O fabrico artesanal e singular de postais de Natal já é feito há vários anos", explicou à Agência Lusa Carla Oliveira, directora da Cercisiago, justificando a actividade com a necessidade de "manter os jovens ocupados e mostrar o seu trabalho".
Este ano, os utentes "descobriram" uma nova técnica, a do furador, com um método muito "simples e prático", relatou Carla Oliveira, pegando numa folha de cartolina para exemplificar.
"Temos estes pequenos furadores, em forma de estrela, pinheiro de Natal ou outro, e utilizamo-los para decalcar pequenos motivos em diferentes cores, que depois colamos no cartão que servirá de base ao postal", explicou.
Enquanto Carla Oliveira mostra como se fabricam os mais recentes postais de Natal com o carimbo da Cercisiago, utentes e monitores dedicam-se à actividade mais popular da quadra, trabalhando em conjunto em mesas redondas, onde se observam postais de outros anos.
"A técnica mais antiga era a do desenho. Cada utente fazia os seus próprios desenhos, recorrendo a diferentes materiais", recorda Carla Oliveira.
Os cartões de Boas Festas constituem apenas um dos produtos de Natal produzidos na Cerci de Santiago do Cacém, onde os utentes também se dedicam a fazer bonecos, caixas para presentes e marcadores de livros.
Este ano, os marcadores de livros apresentam-se como o segundo produto mais vendido, por um preço que oscila entre um e dois euros, conforme sejam mais ou menos elaborados.
Carla Oliveira desvaloriza a verba obtida com a venda dos produtos de Natal, considerando que "o dinheiro é o que menos importa".
"Esta actividade tem mais o intuito de manter os nossos jovens ocupados e mostrar, em simultâneo, o nosso trabalho", realçou.
A verba resultante da venda de produtos a diversas entidades, aos funcionários da Cerci ou aos familiares dos utentes visa apenas "cobrir as despesas e pouco mais".
A actividade natalícia dos utentes da Cerci pretende também, segundo a mesma responsável, "desmistificar a ideia errada, que a maior parte das pessoas tem, de que os deficientes mentais não têm a mesma capacidade que os restantes para desenvolver estes trabalhos".
Ainda assim, reconheceu, a exigência de trabalhos tem de se restringir a algumas limitações.
"Evitamos assumir grandes compromissos para a venda de produtos, porque não queremos sujeitar os utentes a qualquer tipo de stress", disse.
Outra condicionante passa pelo plano diário de actividades, que tem de ser cumprido e que preenche muito do tempo dos utentes.
Semanalmente, os utentes do CAO praticam treino social (competências como atravessar a passadeira, ir aos Correios) e actividades da vida diária (fazer a cama, preparar uma sandes), além de educação física, hipoterapia, dança, e idas à biblioteca e à piscina.
Em Dezembro, chega também a altura de usufruir da actividade mais desejada: a ida à discoteca.
Durante uma tarde inteira, os utentes podem divertir- se, dançando e conversando numa discoteca da zona, que abre só para eles uma vez por ano, antes do Natal.
"É uma das nossas actividades mais antigas e que eles adoram. Em Janeiro, já falam da próxima ida ao Alexander`s", relata Carla Oliveira.