Vacinação de crianças. Ordem dos Médicos considera que norma da DGS "cria desigualdades"

por RTP
Amir Cohen - Reuters

A Ordem dos Médicos considera que a norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a vacinação de crianças entre os 12 e os 15 anos “cria desigualdades e contribui para a entropia no processo da vacinação”. Em comunicado, o organismo lamenta a contradição da norma e exige uma “rápida revisão”.

Numa nota enviada esta segunda-feira às redações, a Ordem dos Médicos critica a contradição da DGS na norma sobre a vacinação de adolescentes entre os 12 e os 15 anos, defendendo que “cria desigualdades e contribui para a entropia no processo de vacinação”.

A norma começa por limitar o acesso à vacina contra a Covid-19, nestas faixas etárias, a adolescentes com comorbilidades, justificando-se que para um eventual alargamento será necessária mais evidência científica. Contudo, a mesma norma, mais à frente, considera que, desde que haja indicação médica, qualquer adolescente poderá ter acesso à vacina. Ou seja, já não interessa a evidência científica”, afirma a Ordem dos Médicos.

O organismo considera que a decisão da DGS de vacinar todas as crianças dos 12 aos 15 anos com comorbilidades ou com recomendação médica “contraria a tese de que ainda não há evidência suficiente e cria desigualdades entre as famílias que conseguirão ter acesso a essa mesma prescrição e as que não terão, sobretudo numa altura em que o acesso à saúde tem estado muito condicionado e em que todos os recursos deveriam ser focados na recuperação de doentes e não em mais um procedimento burocrático”.

Na nota, é ainda referido que a norma não foi recebida de forma clara entre os profissionais de saúde, “com alguns especialistas a saudarem a norma, mas a virem, mais tarde, criticar este acesso condicionado”.

A Ordem dos Médicos apela, por isso, a uma “rápida revisão desta norma, no sentido de esclarecer a mesma e reforçar a confiança na evidência científica e na ampla experiência já existente, protegendo os mais jovens da ameaça física, psicológica e social que este vírus tem representado para a vida de todos nós”.

“O processo tem de ser gerido de forma universal e ágil, como é aliás essencial no combate a uma pandemia”, conclui o organismo.

A decisão sobre a vacinação de crianças dos 12 aos 15 anos foi anunciada na sexta-feira. A DGS recomendou a vacinação contra a Covid-19 nestas faixas etárias em crianças com comorbilidades, justificando que para um eventual alargamento seria necessária mais evidência científica.

Mais tarde, o Presidente da República afirmou que a DGS não proibiu a vacinação de crianças saudáveis e que esta era uma “live escolha dos pais”.

No domingo, a DGS veio esclarecer que a vacinação de crianças com idades entre 12 e 15 anos sem comorbilidades tem de ter prescrição médica, não bastando a vontade dos pais.
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