Vales-cirurgia para banda gástrica no privado são hoje inúteis

Os vales-cirurgia que o Estado atribui actualmente para a colocação de bandas gástricas nas clínicas privadas e sociais não podem ser utilizados por não cobrirem o preço da operação, segundo fonte oficial.

Agência LUSA /

A fonte, ligada ao ministério da Saúde, explicou que os vales são muito inferiores ao custo da cirurgia e a lei não permite aos doentes cobrir o resto, mesmo que tenham condições económicas para o fazer.

A situação deverá alterar-se em breve, pois o Ministério da Saúde mostrou-se disponível para adequar os vales-cirúrgicos ao valor real da colocação da banda gástrica.

Quando tal acontecer, os doentes poderão ser operados nas clínicas privadas e sociais, cabendo ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) pagar a despesa na íntegra.

Para isso, o Ministério da Saúde está a negociar com as clínicas privadas com quem tem convenções "preços razoáveis" para estas cirurgias.

Os vales-cirurgia são atribuídos pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) aos doentes que se encontram em lista de espera para uma cirurgia e não encontram resposta no sector público.

A estes doentes é atribuído um vale para que realizem a operação em hospitais dos sectores privado e social, cabendo ao SNS o pagamento da despesa.

Contudo, e no caso dos doentes que sofrem de obesidade crónica, o vale-cirurgia que o SNS atribui para a colocação de uma banda gástrica é de cerca de 2.000 euros, mas a operação custa perto de 8.500 euros.

Como o vale-cirurgia não pode ser acrescido do montante em falta, mesmo que o doente o queira pagar, este sistema não está a ser aplicado e os doentes mantêm-se na lista de espera dos hospitais públicos, os únicos onde podem receber totalmente grátis a banda gástrica, que é uma cinta em volta da parte alta do estômago que regula a passagem dos alimentos.

Por isso, de acordo com a fonte do gabinete do ministro da Saúde, apesar de existirem muitos doentes que aguardam por uma cirurgia para colocação de uma banda gástrica nos hospitais públicos, estes não estão a ser encaminhados para o sector privado e social.

A fonte do ministério adiantou que existem cerca de cem doentes em lista de espera para esta cirurgia, devidamente identificados como obesos mórbidos.

Segundo o presidente da Associação de Doentes Obesos e Ex- Obesos de Portugal (ADEXO), Carlos Oliveira, existem cerca de 400 mil portugueses com obesidade mórbida, uma doença que pode ser tratada através da colocação de uma banda gástrica.


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