Valor do suplemento de pensão para os combatentes é uma "esmola que envergonha", afirmam veteranos
O presidente da Associação de Veteranos de Guerra, Augusto Freitas, classificou hoje como uma "esmola que envergonha todos os combatentes" o valor do suplemento de pensão que o Governo quer atribuir aos antigos militares.
A edição de hoje do Correio da Manhã noticia que o Governo vai reduzir para mais de metade (até 150 euros anuais) o valor do suplemento especial de pensão, de forma a garantir a sua atribuição a todos os ex-combatentes.
"Não pretendemos que nos dêem míseros tostões como paga pelo que fizemos pela Pátria, até porque a maioria dos ex-combatentes não precisa de uma esmola que envergonha todos os combatentes", declarou Augusto Freitas à agência Lusa.
O responsável considerou ainda que um "verdadeiro reconhecimento" passaria pela redução da contagem de tempo para a aposentação, invocando a existência de estudos que provarão que quem esteve em cenários de guerra tem uma redução média de 17 anos de vida.
Por seu lado, o porta-voz da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), coronel Tasso de Figueiredo, considerou que "os valores da pensão não passam de um simbolismo", sublinhando antes a importância de ser criada "uma rede efectiva de cuidados de saúde para todos os ex-combatentes".
"Teoricamente essa rede está criada, mas na prática não, porque funciona apenas nos hospitais militares e nem todos estão pertos de um hospital militar. Os cuidados de saúde deviam ser estendidos de forma a dar apoio às vítimas do stress de guerra", defendeu o porta-voz da AOFA em declarações à Lusa.
"Acima de tudo interessa-nos que a lei dê aos ex-combatentes a consideração e respeito que devem merecer ao Estado português", concluiu.
De acordo com o Correio da Manhã, o ministro da Defesa, Severiano Teixeira, assegurou que o complemento especial de pensão será atribuído a todos os ex-combatentes (450 mil), ao contrário da decisão do anterior titular da pasta, Luís Amado, que pretendia restringir o suplementos a 20 mil antigos militares.
Desta forma, os ex-combatentes deverão receber por ano um complemento que pode chegar no máximo aos 150 euros.